Desigualdades no acesso aos serviços de saúde da população ocupada: uma análise a partir dos dados das PNADS 1998 e 2003 ◊∗ Carolina Portugal Gonçalves da Motta Murilo Cássio Xavier Fahel Eduardo Caldeira Pimentel Palavras-chave: desigualdade; estratos ocupacionais; acesso a serviços de saúde. RESUMO O trabalho mostra, a partir de uma análise comparada, as desigualdades de acesso aos serviços de saúde da população ocupada de 10 a 64 anos, no período de 1998 e 2003, com uso das PNADS. Analisam-se os efeitos dos atributos individuais como idade, raça e escolaridade; fatores geográficos como residência e região; fatores capacitantes como cobertura de Plano de Saúde e necessidades dos serviços como auto-avaliação de saúde, problemas de saúde e consultas médicas, sobre a produção das desigualdades de acesso. Para verificar as desigualdades no acesso aos serviços de saúde primeiramente realiza-se uma análise dos fatores sócio-econômicos, demográficos, geográficos que podem influenciar as desigualdades no acesso. A análise de quais dados são mais relevantes na diferença no acesso é averiguada com aplicação da regressão logística (análise multivariada). Observa-se que o padrão de acesso aos serviços de saúde não apresenta significativas alterações entre 1998 e 2003 de tal modo que as mulheres; os trabalhadores formais (com carteira assinada, servidores públicos e militares e empregadores); os residentes em áreas urbanas do país apresentam uma maior acessibilidade. O sexo, juntamente com a cobertura de planos de saúde e o número de doenças crônicas são as variáveis explicativas de maior peso na determinação do grau de acesso aos serviços com associação positiva com a renda e escolaridade (status socioeconômico) dos indivíduos; enquanto a auto-avaliação do estado de saúde apresenta uma associação negativa. Os resultados indicam um paradoxo entre a proposta de universalização do SUS e a manutenção de uma estratificação do acesso aos serviços de saúde, na qual determinadas categorias profissionais, como os servidores públicos e empregados com carteira assinada, tem maior acesso aos serviços de saúde que as demais categorias. Resultados preliminares de pesquisa financiada pela FAPEMIG do projeto PPSUS. Trabalho enviado para aceite no XVI Encontro Nacional de Estudos Populacionais, ABEP, realizado em Caxambú - MG – Brasil, de 29 de setembro a 03 de outubro de 2008. Mestre em Demografia pelo CEDEPLAR – UFMG e Bolsista BDTI do projeto PPSUS da FAPEMIG Professor e Pesquisador da Fundação João Pinheiro e doutorando na área de Ciências Humanas: Sociologia e Política - UFMG Bolsista de iniciação cientifica e graduando em Ciências Sociais pela UFMG