O NOME DA ROSA: ECOS BORGIANOS ic Denise A.D.Guimarães L er intertextualmente é ver no texto literário o local de conflito, o espaço onde se inserem dialeticamente estruturas plurais. O diálogo entre os textos é um processo complexo; uma espécie de montagem em progressiva função estética a ser decodificada, decifrada, recriada na instância de leitura. Nesta espécie de "leitura-montagem", também dialógica, o intertexto fornece as pistas, mas não as saídas a serem deflagradas no processo de recepção. Julia Kristeva diz que os textos da modernidade constroem-se pela absorção e destruição simultâneas de outros textos do espaço intertextual. Neste processo de produtividade, visto por Bakhtin como tessitura polifónica, o discurso literário envolve um cruzamento de vários textos, um diálogo em direção ao "corpus" literário anterior ou contemporâneo. Tanto O nome da rosa, de 1980, quanto os textos de Jorge Luis Borges, bem anteriores, apresentam fortes marcas intertextuais. Ao aproximá-los, este estudo pretende captar certos ecos borgianos no romance de Umberto Eco. Semioticista, Umberto Eco tem consciência da peculiar riqueza formal e semântica da "memória" do sistema semiótico literário; da sua capacidade de produzir inesgotáveis significados. Sob a estrutura de um Universidade Federal do Paraná Letras, Curitiba, n. 40, p.53-67. 1992. Editora da UFPR 53