Interpretando evidências iconográficas da mulher ateniense Fábio Vergara Cerqueira 1 RESUMO: O objetivo deste artigo é apresentar um modelo de interpretação arqueológica da iconografia dos vasos áticos, levando em conta sua ambigüidade semântica, e sua oscilação entre abordagens realistas e idealista. Este modelo é aplicado para o estudo da situação da mulher na vida social da sociedade ateniense do período tardo-arcaico e clássico (séc. VI a V AEC). PALAVRAS-CHAVE: Iconografia – Arqueologia da Imagem – Grécia Antiga - Mulher. ABSTRACT: The goal of this article is to present a model of archaeological interpretation of the Attic pottery iconography, considering its semantic ambiguity and the dichotomy of realistic and idealistic approaches. This model is applied for the study of the situation of the woman in the social life of the Athenian society in the late-archaic and classical periods (VI – V centuries BCE). KEY-WORKS: Iconography – Archaeology of the Image – Ancient Greece – Woman Introdução Falar em evidências iconográficas significa apostar na capacidade que os registros imagéticos remanescentes da Grécia antiga possuem para testemunhar aspectos da vida social e cultural de então. Implica, portanto, uma tomada de partido teórico e metodológico. Implica assumir um pressuposto: a validade epistemológica das imagens, no caso a pintura dos vasos áticos dos séculos VI a IV A.E.C., como fonte para o conhecimento da história- acontecimento da Grécia Antiga. Significa, portanto, acreditar que 1 Doutor em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo. Professor do Departamento de História e Antropologia, Coordenador do LEPAARQ-UFPEL. Professor do Mestrado em Memória Social e Patrimônio Cultural da UFPEL.