5º SOPCOM – Comunicação e Cidadania Moisés de Lemos Martins & Manuel Pinto (Orgs.) (2008) Comunicação e Cidadania - Actas do 5º Congresso da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação 6 - 8 Setembro 2007, Braga: Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (Universidade do Minho) ISBN 978-989-95500-1-8 A Globo no mundo: internacionalização de uma empresa televisiva com sotaque brasileiro SERGIO DENICOLI Universidade do Minho ~ sergiodenicoli@gmail.com Resumo: Este artigo analisa a política internacional da Globo e observa as características dessa internacionalização. O foco principal é o jornalismo da emissora, analisado por meio das reportagens produzidas no exterior e veiculadas no Jornal Nacional, o telejornal de maior audiência. A expansão para o mercado externo faz parte da própria formação da emissora, influenciada pela escola norte-americana que moldou o “fazer jornalismo” da Globo e também influenciou na produção ficcional e na sua comercialização. Palavras-chave: TV Globo, lusofonia, telejornalismo, telenovela. Introdução A internacionalização da TV Globo faz parte da história da emissora e começou antes mesmo de sua estreia, em 26 de Abril de 1965. Em 1962, quando ainda não havia iniciado as transmissões, a Globo assinou um contrato com o grupo norte-americano Time-Life, que lhe garantiu financiamento e estabeleceu modelos de gestão do sector televisivo (Sousa, 1999). Oficialmente, o contrato da Globo com o Time-Life vigorou de 1962 e 1969 e seu fim deu-se pelo desinteresse do grupo estrangeiro. O rompimento com a Globo ocorreu porque o grupo multinacional precisou rever a sua estratégia na América Latina: “Os americanos saíram do negócio com prejuízo, da mesma forma que também saíram das operações que haviam tentado implementar na Venezuela, no Peru e na Argentina” (Rebouças, 2005:158, 159). Quando a parceria terminou, todo o know-how norte-americano estava presente na estrutura da Globo. Utilizando lógicas de comercialização muito semelhantes às da indústria televisiva norte- americana, a Globo passou a exportar suas telenovelas. A comercialização começou em 1970, mas foi apenas em 1976, quando a emissora criou um sector específico para vender suas produções, que houve uma grande expansão desse mercado. Nos países de língua portuguesa, a telenovela brasileira ganhou lugar cativo nos horários nobres das emissoras. Essa trajectória no mundo lusófono teve início com o sucesso da telenovela Gabriela, quando foi exibida em Portugal, em 1977. As tramas ficcionais da Globo mantêm-se, na actualidade, como um produto com grande aceitação por parte das audiências. A vocação internacional reflectiu-se também no jornalismo, com o estabelecimento de profissionais do sector em diversos países.