Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XXXII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Curitiba, PR – 4 a 7 de setembro de 2009 1 Fan films e cultura participatória 1 Lucio LUIZ 2 Universidade Estácio de Sá, Rio de Janeiro, RJ RESUMO Fãs de produtos culturais estão desenvolvendo uma nova maneira de homenagear os objetos de sua “paixão”: criando novos produtos culturais derivados dos originais. Uma das formas de criação derivada são os fan films, produções cinematográficas, geralmente amadoras, construídas a partir da apropriação de personagens e universos ficcionais criados por terceiros, sem a preocupação com direitos autorais. Os fan films são parte da cultura participatória, que se relaciona com as atividades desses fãs. PALAVRAS-CHAVE: Fan film; cultura participatória; cinema; fã; convergência. Conceito de cultura participatória Desde que surgiram as produções culturais que atingiam grande público, também surgiram aqueles a quem chamamos hoje de fãs: pessoas que se dedicam a estudar, comentar e conhecer profundamente livros, filmes, gibis, seriados de TV, ou qualquer outro produto cultural que desperte seu interesse. Entre os diversos tipos de fãs, há o que poderia ser considerado como membro de uma subcultura que busca se apropriar dos conceitos e personagens de que gostam para criar novos produtos derivados, sem preocupação com direitos autorais. Esse subcultura, identificada pelo termo “cultura participatória” 3 , permite que um fã de quadrinhos de super-heróis, por exemplo, escreva um conto ou produza um filme amador utilizando os personagens de que gosta em uma história adaptada de um gibi ou criada originalmente por ele. Apesar desse tipo de apropriação existir há décadas, o conceito de cultura participatória foi cunhado a partir dos estudos de Jenkins 1 Trabalho apresentado no GP Conteúdos Digitais e Convergências Tecnológicas do IX Encontro dos Grupos/Núcleos de Pesquisa em Comunicação, evento componente do XXXII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. 2 Jornalista; Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estácio de Sá; e-mail: lucio@gd.g12.br. 3 A opção pela tradução “participatória” ao invés de “participativa” para o termo original “ participatory” foi feita porque, embora similares, o sufixo “ório” possui a conotação de “local onde ocorre algo”, enquanto o substantivo “ivo” possui a conotação de “o que ocorre”, assemelhando-se ao que se dá a entender ao se dizer, por exemplo, que “o processo digestivo ocorre no sistema digestório”. Ainda assim, as duas traduções se assemelham, sendo que a opção por uma tradução em detrimento da outra foi para se aproximar da intenção original do criador do conceito.