UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL Unidade Universitária de Dourados VII EPGL - VI CNELLMS e IV EPPGL 27 a 29 de julho de 2011 LAUTRÉAMONT: UMA BIOGRAFIA CULTURAL Eduavison Pacheco CARDOSO 1 (UFMS) Prof. Dr. Edgar Cézar NOLASCO 2 (UFMS) RESUMO: Este trabalho propõe fazer um estudo introdutório autobiográfico do escritor francês, de origem uruguaia, Isidore Lucien Ducasse, mais conhecido pelo pseudônimo de Conde de Lautréamont, a partir de sua obra literária que engloba Os Cantos de Maldoror e Poesias, como também sua produção não literária, tal como as cartas que escreveu, além de levar em consideração as biografias ficcionais de autores brasileiros que podemos considerar, como Lautréamont, vulgo Ducasse, aliás Maldoror escrita por Leyla Perrone-Moisés e Cantos de outono, o romance da vida de Lautréamont de Ruy Câmara. Como pouco se sabe a respeito da vida de Lautréamont na América Latina, lugar de sua origem, e no Brasil, este trabalho visa a um estudo biográfico cultural, tendo como embasamento teórico-crítico o que postulam os estudos culturais. PALAVRAS-CHAVE: Lautréamont; Biografia; Estudos Culturais. Não deixarei memórias. Conde de Lautréamont Introdução Na véspera de meu nascimento, 118 anos antes, em 24 de novembro de 1870, morria Isidore Lucien Ducasse, autor de Os cantos de Maldoror, ocultado sob o signo de seu pseudônimo e esquecido por muitos anos diante da inexistência de leitores. A vida deste poeta, por muito tempo mitificada pelo impacto da figura de Lautréamont, e contestada pela falta de documentos de Isidore Ducasse, agora pode ser estudada de uma nova forma na contemporaneidade, por meio da crítica biográfica e com as contribuições que os estudos culturais fornecem. Desse modo a crítica biográfica tem um papel importante na investigação de traços biográficos desse autor dentro de sua própria obra e das biografias romanceadas de Ruy Câmara, em Cantos de outono, o romance da vida de Lautréamont, e de Leyla Perrone-Moisés, em Lautréamont, vulgo Ducasse, aliás Maldoror. Podemos observar que a crítica biográfica não visa estudar a obra como mero reflexo do autor. Vale lembrar que Eneida Maria de Souza no ensaio “Crítica biográfica, ainda” expõe que “é preciso distinguir e condensar os polos da arte e da vida, por meio do emprego do raciocínio substitutivo e metafórico, com vistas a não naturalizar e a reduzir os acontecimentos vivenciados pelo autor” (SOUZA, 2010, p. 53). Exemplo disso é a obra Roland Barthes por Roland Barthes na qual o autor ficcionaliza a própria vida como indica no inicio do livro: “Tudo isto deve ser considerado como dito por um personagem de romance” (BARTHES, 1975, p. 2). Isidore Ducasse se inscreve em Lautréamont que, por vezes, se confunde com o personagem Maldoror. Lautréamont e Maldoror são construções que Ducasse fez para edificar sua literatura, para fazê-la entrar para a história da Literatura. Gaston Bachelard faz a seguinte afirmação em relação a vida íntima de Ducasse: Nada se sabe acerca da vida íntima de Isidore Ducasse, que permanece bem oculto sob o pseudônimo de Lautréamont. Nada se sabe acerca de seu caráter. Dele possuímos apenas uma obra. (...) Só através da obra podemos imaginar o que foi a sua alma. (BACHELARD, 1989, p. 7) 1 Eduavison Pacheco Cardoso, Graduando. Universidade Federal de Mato Grosso de Sul – UFMS – edumaldoror@gmail.com 2 Edgar Cezar Nolasco, Doutor. Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS – ecnolasco@uol.com.br