A BELA MORTE E O BELO MORTO: DUAS VISÕES ACERCA DA MORTE EM HOMERO Bruna Moraes da Silva e Renata Cardoso de Sousa * 1. INTRODUÇÃO Vários autores contemporâneos se debruçam sobre a questão da bela morte, como Nicole Loraux, Jean-Pierre Vernant e Teodoro Rennó Assunção. Entretanto, temos por intuito analisar nesse artigo essas duas últimas visões acerca da morte dentro da Ilíada que se contrastam no âmbito acadêmico. Enquanto Vernant vê no ato de morrer jovem em campo de batalha um modo belo de se deparar com a morte, para que assim o herói permaneça na memória coletiva, Rennó se foca nos feitos realizados durante a guerra, definindo que, para ser rememorado o necessário é matar e não morrer de determinada forma. Porém, nosso objetivo não se atém a defender ou refutar uma das teorias, e sim verificar como ambas estão presentes no contexto homérico e aparecem nos versos do aedo. Examinaremos ao longo do artigo as características dessas visões e como elas se apresentam na Ilíada. * Graduandas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), bolsistas de iniciação científica pelo CNPq/PIBIC. Graduandas em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), cursando o sexto período. Membros do Laboratório de História Antiga (LHIA) e bolsistas de Iniciação Científica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/PIBIC). Orientadas pelo Professor Doutor Fábio de Souza Lessa. E-mails: renata_cardoso@ufrj.br; brunams1990@yahoo.com.br.