Balanceando entre a sensibilidade à riqueza do campo e a praticidade do design de software Genésio Cruz Neto 1 , Alex SandroGomes 2 , Jaelson Castro 2 1 Faculdade Integrada do Recife, Recife PE, Brasil, 50720-635 2 Universidade Federal de Pernambuco, CIN, Recife PE , Brasil, 50732-970 genesio@fir.br, asg@cin.ufpe.br, jbc@cin.ufpe.br Resumo. Abordagens etnometodológicas de estudos qualitativos do usuário propiciam uma descrição detalhada das práticas humanas, no entanto, o caráter retórico enfatizado pelas mesmas dificulta a integração com o design de software. Por outro lado, a argumentação contrária ao uso dos atuais métodos oferecidos por designers é a perda da sensibilidade aos dados do campo devido a análise ser “direcionada” por frameworks e modelos cognitivos (orientados a objetivos e processos). O presente artigo apresenta uma solução balanceada que usa o processo indutivo de análise de dados da Grounded Theory para construção de representações sociais baseadas na Teoria da Atividade e na técnica i*. Entre outros pontos, o trabalho apresenta como os aspectos não funcionais dos modelos i* podem ser elicitados a partir da incorporação de recentes re-formulações de conceitos da Teoria da Atividade e de atributos não funcionais qualitativos associados às ações humanas. 1 Introdução Teoria da Atividade [Leont´ev 1979; Engström 1987; Kaptelinin e Nardi 2007] é um framework pós-cognitivista considerado como um possível ponto de partida para soluções que venham a promover um melhor balanceamento entre as abordagens etnometodológicas [Button e Dourish 1996; Dourish 2006] e as orientadas pelo design [Vicente 1999; Maguire 2001]. No entanto, as atuais tentativas de operacionalização deste referencial ainda oferecem limitações que dificultam sua ampla utilização devido a dificuldades na manipulação de seus conceitos [Kaptelinin e Nardi 2007] e pela falta de integração com modelos e processos de Engenharia de Requisitos [Souza 2003]. Na área de Engenharia de Requisitos, destaca-se atualmente a técnica i* (“i estrela”) [Yu 1995] que está há um passo a frente dos atuais modelos cognitivos por incorporar aspectos intencionais e de dependências sociais estratégicas aos elementos processuais dos sistemas de informações. No entanto, as metodologias atuais baseadas em i* [Castro, Kolp e Mylopoulos 2002] geralmente não tratam o problema de como os modelos iniciais são originados. Trabalhos recentes procuram abordar esta lacuna utilizando análises sociais baseadas em modelos cognitivos [Grau, Franch e Maiden 2005].