Arqueologia Preventiva no Patrimônio Arqueológico Brasileiro Rossano Lopes Bastos 1 & Marise Campos de Souza 2 O presente trabalho prende-se aos esforços de identificar os problemas mais comuns que ocorrem em projetos de avaliação de impacto sobre o Patrimônio Arqueológico no Sul e Sudeste do Brasil. A avaliação de impactos ambientais no Brasil é recente enquanto obrigação legal, e remonta ao ano de 1986, o que contribui para que haja ainda alguma resiliência por parte das empresas de consultoria ambiental de se colocar em conformidade com as necessidades de avaliação do Patrimônio Arqueológico na matriz de dados a ser avaliada nos estudos de impacto ambiental. Por outro lado à falta de legislação que regulamente a profissão do arqueólogo e a inexistência de um órgão representativo do mesmo, considerando que no Brasil para se profissionalizar nesta área é necessário obter no mínimo um curso de pós- graduação em arqueologia tem possibilitado que profissionais de outras áreas ambientais afins se julguem no direito de opinar nas questões arqueológicas de forma irresponsável trazendo prejuízos ao Patrimônio. Nossa proposta aqui é apontar estas anomalias e introduzir propostas e um dos modelos de avaliação cumulativa que levem em conta as questões arqueológicas. As questões que fazem parte deste estudo estão associadas a nossa atividade de agente público, responsável pela avaliação, fiscalização e monitoramento dos mais diversos projetos de Arqueologia no Sul e sudeste do Brasil, especialmente nos Estado de Santa Catarina e São Paulo. Nossa atividade é desenvolvida no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico e Nacional, autarquia federal que cuida do Patrimônio Cultural Brasileiro desde 1937, quando foi criado. A experiência estará embasada nas especificidades dos Estados do Sul e sudeste do Brasil, não contemplando estudos ou exemplos do Norte do País, incluindo a Amazônia. Fica cada vez mais evidente que as demandas do conhecimento ambiental e arqueológico, apontam principalmente para respostas transdisciplinares. Quando optamos por este viés, estamos conscientes das limitações de ordem teórica-prática que enfrentaríamos, por se tratar de assunto embora não muito recente, mas de certa forma emergente no Brasil e nos Estados do Sul e Sudeste do Brasil. A implantação de teĐŶologia dita liŵpa eŵ eŵpƌeeŶdiŵeŶtos de gƌaŶde envergadura, nem sempre obedecem a padrões de intervenção compatíveis com a magnitude dos impactos sobre o Patrimônio Arqueológico. Desta Forma, torna-se necessário à elaboração e execução de projetos de levantamento e salvamento arqueológico que contemplem de forma satisfatória a salvaguarda dos bens arqueológicos. As ações de fiscalização e vistorias de empreendimentos por parte do IPHAN identificaram particularmente, problemas que ocasionaram a destruição, mutilação e perdas de informação da memória nacional. 1 Arqueólogo do IPHAN/SP, Livre docente em Arqueologia Brasileira pelo Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo. Professor colaborador do MAE/USP. rossanolopes@gmail.com 2 Arqueóloga do IPHAN/SP Doutora em Arqueologia pela Universidade Trás-os-Montes e Alto Douro, Portugal