Scientia Traductionis, n.10, 2011 ALGUNS PROBLEMAS TEÓRICOS DA TRADUÇÃO DE LÍNGUAS ANTIGAS: REFLEXÕES ACERCA DAS DIFICULDADES DO TRADUTOR DO LATIM THAÍS FERNANDES Resumo: Este breve artigo objetiva dis- cutir algumas questões acerca de pro- blemas da tradução do latim para línguas modernas. As reflexões apóiam-se nas leituras de três autores: Mounin (1975), Yebra (1994) e Berman (2007), e preten- dem dar uma ideia de como a tradução de línguas antigas, em especial do latim, vem sendo discutida por alguns teóricos da tradução. Abstract: This brief paper aims to dis- cuss some questions related to the pro- blems of translating from Latin to mo- dern languages. My reflections rely on the readings of three authors: Mounin (1975), Yebra (1994) and Berman (2007), and intend to give an idea of how the translation from ancient languages, especially from Latin, has been discussed by some translation theorists. Palavras-chave: Teoria da Tradução; Tradução de línguas antigas; Tradução do latim Key-words: Translation Theory; transla- tion from ancient languages; translation from Latin artigo proposto tem como objetivo discutir alguns problemas de tradução da língua latina para línguas modernas, especial- mente as românicas 1 , suscitados pelas leituras de três autores: Mounin (1975), Yebra (1994) e Berman (2007). Pensando que o latim, assim como o grego, é uma língua morta 2 , sua tradução traz problemas distintos da- queles causados pela tradução de línguas modernas? Quais seriam alguns desses problemas? Como eles são discutidos por teóricos da tradução? São essas as questões que norteiam nosso trabalho e que, se buscamos responder, não o fa- zemos nem exaustiva nem definitivamente. 1 As reflexões apresentadas aqui podem ser aplicadas a outras línguas. No entanto, por estarmos trabalhando somente com teóricos falantes de línguas românicas – Mounin e Berman são franceses; Yebra é espanhol –, focaremos nas dificuldades de tradução para as línguas desses autores e para o português, nossa língua materna. 2 Como Lima (1995), entendemos que a expressão “língua morta” é uma figura que se refere à fala, mas que é muitas vezes generalizada e atribuída ao todo das línguas antigas. Tal expressão significa dizer apenas que não existe mais uma comunidade falante de tais línguas, por isso alguns autores, como o próprio Lima (1995), dão preferência à denominação “língua do passado”, em detrimento de “língua morta”. O