Sul do Amazonas, nova fronteira agropecuária? O caso do município de Humaitá Mariza Alves de Macedo 1 Wenceslau Teixeira 2 1 Sistema de Proteção da Amazônia – SIPAM (CTO/MN) Avenida do Turismo – 1350 – Tarumã – 69049-630 – Manaus, AM mariza.macedo@sipam.gov.br 2 Embrapa Amazônia Ocidental Rodovia AM-010, km 29 Caixa Postal 319 – 69010-970 - Manaus, AM wenceslau@cpaa.embrapa.br Abstract. Deforestation is a complex phenomena, drive by different group and interests. It may manifest differently in each region and each time of analysis. In the county of Humaitá, in south of the Amazon State in Brazil, the potential expansion of the agribusiness have been creating a large debate concerning the economical feasibility and environmental concerns about the use of the soils in those regions to create land use system to produce grains (as soybean and rice) in large scale. This paper show the spatial and temporal evolution of deforestation of areas covered by forest and savannas in Humaitá, satellite images from CBERS-CDD and Landsat5-TM from the years 2003 to 2007 were used. In the period studied was altered from the original vegetation around 235 km 2 . The summation of anthropized areas before 2003 was estimated to be around 765 km 2 . The large amount of deforestation occurred near the areas altered before, specially near the roads and rivers. Around third percent of anthropized areas until 2007 was in the savannas, and the large part of those areas was altered until 2003, when the region was stimulated to use the savanna in agricultural projects. The proximity of the roads is a risk to protected areas as indigenous lands and conservation units and is suggested the implementation of buffers zone around them. Palavras-chave: Deforestation, remote sensing, conservation units, indigenous lands, desflorestamento, sensoriamento remote, unidades de conservação, terra indígena. 1. Introdução De acordo com dados do Programa de Monitoramento do Desmatamento da Amazônia (Prodes – www.obt.inpe.br/prodes), o Amazonas é um dos estados com menores índices de área desmatada na Amazônia Legal. No entanto, sua porção sul vem se consolidando como nova área de expansão da fronteira agropecuária e concentrando a maior parte das novas frentes de desmatamento no estado. A exploração madeireira é muitas vezes apontada como a frente pioneira (Margulis, 2003; Rodrigues, 2004), pois ao criar meios para o escoamento da madeira, também estimula a ação de grileiros, e conseqüentemente a apropriação da terra para outros usos. A pecuária daria seqüência ao processo de conversão da área florestal, enquanto o plantio da soja se concentra nas áreas de pastagens, como forma de reduzir os custos de sua implantação. Neste aspecto, o impacto da cultura da soja nem sempre se daria de forma direta, mas sim de forma combinada com o processo de transferência de terras entre diferentes grupos. Neste caso, pecuaristas descapitalizados e pequenos agricultores que se desfazem de suas propriedades e buscam novas oportunidades, sobretudo na fronteira especulativa. Em tais áreas, a posse da terra depende da abertura de novas áreas, e o lucro é, muitas vezes, mais fundamentado na comercialização de terras do que nos retornos produtivos da pecuária (Embrapa, 2008). Para Rodrigues (2004), esse efeito de deslocamento de atividades menos capitalizadas seria mais intenso onde já não há lugar para se expandir, como no Mato Grosso, enquanto o sul do Amazonas seria um dos prováveis locais para onde se dirigiria esta expansão. No município de Humaitá/AM, as apreensões com relação a esse processo se pronunciam sob diferentes aspectos: de um lado, expectativas de uma produção de grãos em larga escala, 5933 próximo artigo Anais XIV Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto, Natal, Brasil, 25-30 abril 2009, INPE, p. 5933-5940.