A interdependência entre segurança e desenvolvimento: uma contribuição brasileira. 1 Mariana Kalil Em 2002, após vasta discussão acerca da ameaça de Estados à própria população, em assembleia de notáveis reunida no Canadá, no âmbito da International Community on Intervention and State Sovereignty, lançou-se conceito chamado de responsabilidade de proteger, a r2p (EVANS & SAHNOUN, 2002). A partir dele, foram consagradas a responsabilidade primária do Estado em proteger sua população e a responsabilidade da comunidade internacional de agir, em caso de os Estados falharem em cumprir sua responsabilidade (ICr2p, 2012). Esse exercício de accountability seria feito por meio de métodos pacíficos, como os diplomáticos e humanitários, ou pelo uso da força, quando autorizado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas (ICr2p, 2012). Em 2005, diante das discricionariedades da guerra contra o terror, o Secretário Geral das Nações Unidas Kofi Annan expediu documento chamado “In larger freedom – towards security, development and human rights for all ”. Nesse contexto, foi criada a Comissão de Construção da Paz das Nações Unidas. Ainda, na vaga da ampliação do conceito de segurança no pós-Guerra Fria, Kofi Annan mostrou-se convencido de que desenvolvimento, segurança e direitos humanos caminham de mãos dadas (BUZAN & WEAVER,1997; ANNAN, 2005). O lançamento da r2p, adotado em resolução do Conselho de Segurança em 2006 e da Assembleia Geral das Nações Unidas em 2009, e o posicionamento de Annan levaram à percepção de que a soberania não seria inviolável, em casos de expresso desrespeito aos direitos humanos, como em situações 1 Mariana Alves da Cunha Kalil é bacharel em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e mestranda em Política Internacional Comparada pela Universidade de Brasília.