Correlatos da Solidão em Idosos Helena Espirito-Santo, Marlene Dias Costa, Daniel Falcão, Laura Lemos, Ana Lídia Pinto, Carla Susana Neves, Fátima Rodrigues, Inês Torres-Pena, Luísa Caldas, Sara Moitinho, Vanessa Vigário, Vera Pascoal Departamento de Investigação & Desenvolvimento | Instituto Superior Miguel Torga| Coimbra | Portugal Contacto: espirito-santo@ismt.pt Contexto Em Portugal, o número de idosos que vivem sozinhos ou que estão institucionalizados está a aumentar. Os idosos que estão institucionalizados são suscetíveis à solidão [1]. A solidão está associada à depressão, ansiedade, fraca qualidade de sono e declínio cognitivo [1-3]. Determinar quais as variáveis predizem a solidão em idosos institucionalizados pode permitir a sinalização apropriada para potencialmente permitir a preservação da saúde mental e cognitiva. Objetivos Com este estudo pretendíamos explorar a prevalência da solidão numa amostra de idosos institucionalizados e determinar quais as variáveis que a predizem. Referências 1.Kim, O., Byeon, Y. S., Kim, J. H., Endo, E., Akahoshi, M. e Ogasawara, H. (2009). Loneliness, depression and health status of the institutionalized elderly in Korea and Japan. Asian Nursing Research, 3(2), 63–70. 2.Rapp, M. A., Gerstorf, D., Helmchen, H., e Smith, J. (2008). Depression predicts mortality in the young old, but not in the oldest old: results from the Berlin Aging Study. The American Journal of Geriatric Psychiatry, 16(10), 844–852. doi:10.1097/JGP.0b013e31818254eb 3.Wang, Z., Shu, D., Dong, B., Luo, L. e Hao, Q. (2012). Anxiety disorders and its risk factors among the Sichuan empty-nest older adults: A cross-sectional study. Archives of Gerontology and Geriatrics. doi:10.1016/j.archger.2012.08.016 4. Russell, D., Peplau, L., Ferguson, M. (1978). Developing a Measure of Loneliness. Journal of Personality Assessment, 42, 290-294. 5.Folstein Folstein, M. F., Folstein, S. E. e McHugh, P. R. (1975). Mini-mental state. A practical method for grading the cognitive state of patients for the clinician. Journal of Psychiatric Research, 12(3), 189–198. doi:10.1016/0022-3956(75)90026-6 6.Yesavage, J. A., Brink, T. L., Rose, T. L., Lum, O., Huang, V., Adey, M. e Leirer, V. O. (1983). Development and validation of a geriatric depression screening scale: a preliminary report. Journal of Psychiatric Research, 17(1), 37–49. 7.Pachana, N. A., Byrne, G. J., Siddle, H., Koloski, N., Harley, E. e Arnold, E. (2006). Development and validation of the Geriatric Anxiety Inventory. International Psychogeriatrics, 19(01), 103. doi:10.1017/S1041610206003504 8. Diener, E. (1994). Assessing subjective well-being: Progress and opportunities. Social Indicators Research, 31, 103–157. 9.Marques, M., Espirito-Santo, H., Matreno, J., Fermino, S., Alves, V., Vigário, V., et al. (2012). Psychometric properties of a subjective sleep quality index to be used with the elderly: an exploratory study. Journal of Sleep Research, 21(Supl. 1), S199. A prevalência de sentimentos de solidão foi de 68,2%. As mulheres idosas apresentaram mais sentimentos de solidão (p < 0,05), menor satisfação com a vida, e mais sintomas (p < 0.01). Os idosos sem companheiro mostraram mais sentimentos de solidão (p < 0,05). Os idosos sem educação formal manifestaram mais sintomas e maior défice cognitivo (p < 0,01). Finalmente, os idosos mais velhos revelaram mais défice cognitivo (p < 0,01). A solidão não se associou com nenhuma das restantes variáveis sociodemográficas (idade, escolaridade, viver sozinho/acompanhado, quantidade de contactos sociais), nem com o funcionamento cognitivo, nem ainda com problemas sensoriais (visão e audição). A solidão relacionou-se significativa e positivamente com os sintomas de ansiedade (r = 0,15) e depressivos (r = 0,29), pobre qualidade do sono (r = 0,21), e baixa satisfação com a vida (r = -0,27). Após regressão logística múltipla das variáveis significativas, apenas a satisfação com a vida foi preditora da solidão (OR = 1,07; p < 0,05). Amostra A nossa amostra é constituída por 539 idosos (60-100 anos, média de idades = 80.03 ± 7.38), a maioria são mulheres (75,8%), com o ensino básico concluído (39,5%), viúvos (60,3%), utentes de centros de dia (61,0%) ou residentes em lares (39,0%). Instruments A solidão foi medida usando a UCLA loneliness scale [UCLA, 4].Também incluímos uma medida de aspetos sociodemográficos e variáveis relacionadas com a saúde, o Mini-Mental State Examination [MMSE, 5], a Geriatric Depression Scale [GDS, 6], o Geriatric Anxiety Inventory [GAI, 7], a Satisfaction with Life Scale [8], e o Questionário Subjetivo do Sono para Idosos [QSSI, 9]. Métodos Tabela 1. Pont tuações Médi ias nas Medid das Emociona ais e Cognitivas. n M DP Variação UCLA 223 37,48 10,47 16,00 - 59,00 SWLS 526 16,33 5,31 5,00 - 31,00 GAI 534 12,52 6,02 0,00 - 20,00 GDS 530 14,61 6,27 0,00 - 29,00 QSSI 97 19,99 6,03 9,00 - 33,00 MMSE 539 20,56 6,1 0,00 - 30,00 * p < 0,05 Resultados Discussão e Conclusão O sexo e o estado civil tiveram um efeito significativo na solidão. Especificamente, as mulheres idosas institucionalizadas de Coimbra têm mais sentimentos de solidão e menor satisfação com a vida, provavelmente porque são viúvas em maior número e têm menores rendimentos [10]. A satisfação com a vida é a única variável que prediz os sentimentos de solidão. Decorre daqui a necessidade de intervenções direcionadas à perceção e à aceitação dos eventos de vida e aos sentimentos de solidão em idosos institucionalizados.