INTRODUÇÃO O funcionamento cognitivo declina com a idade, existe uma associação entre o funcionamento cognitivo e escolaridade, não é claro qual o papel que a escolaridade associada à profissão tem no declínio cognitivo. A memória, a atenção, a linguagem e a capacidade executiva estão entre as funções cognitivas mais susceptíveis ao envelhecimento, mas falta saber qual o papel do binómio escolaridade-profissão no declínio cognitivo global nestas capacidades em particular. São assim nossos objetivos, averiguar se a influência do nível educacional e da profissão no funcionamento cognitivo global, mnésico, atencional, linguístico e executivo. Envelhecimento e Funcionamento Cognitivo: O Papel da Escolaridade e Profissão Daniel Falcão; Helena Espírito-Santo; Sónia Guadalupe Departamento de Investigação & Desenvolvimento | Instituto Superior Miguel Torga MATERIAIS E MÉTODOS Instrumentos A avaliação incluiu o MMSE (Mini-mental State Examination) para o funcionamento cognitivo global, a figura complexa de Rey para a memória, o Teste Stroop para a atenção, tarefas de fluência verbal e a FAB (Frontal Assessment Battery) para as funções executivas. •Avaliação Breve do Estado Mental (MMSE, Folstein et al., 1975) •Figura Complexa de Rey (FCR, Meyers & Meyers, 1995) •Stroop Test (ST, Castro, Martins, & Cunha, 2003) •Tarefas de fluência verbal (TFV) •Frontal Assessment Battery (FAB, Dubois, Slachevsky, Litvan, & Pillon, 2000) Amostra A amostra compõe-se de 558 idosos institucionalizados, com idade média de 78, 75anos (±9,36), sendo 74,0% da amostra constituída por mulheres, dos quais 46,2% sem escolaridade e 53,8% têm escolaridade com o mínimo de 4 anos. Neste grupo 45,7% teve profissões manuais e 53,8% teve profissões intelectuais. RESULTADOS DISCUSSÃO E CONCLUSÃO À semelhança de outros estudos, fica claro que a escolaridade tem um papel protetor no envelhecimento cognitivo, mas esse papel depende da profissão que a pessoa exerceu ao longo da vida. As profissões que estimulam intelectualmente protegem o declinar das funções cognitivas que são mais vulneráveis ao envelhecimento cerebral, com exceção da atenção (medida pelo Stroop). Os idosos com escolaridade apresentaram pontuações médias significativamente mais elevadas em todas as funções cognitivas (Tabela 1). O mesmo aconteceu com os idosos com profissões intelectuais, excepto para a atenção, e para as funções executivas. Com excepção da atenção (H=4,38; p=0,11), nas restantes provas, houve diferenças significativas entre idosos com escolaridade- profissões intelectuais e idosos com escolaridade-profissões manuais e idosos sem escolaridade-profissões manuais (H entre 96,07; p<0,001 e 9,86; p<0,05). REFERÊNCIAS Ardila,A.,Bertolucci,P.H.,Braga,L.W.,Castro Caldas,A., Judd, T., Kosmidis, M.K., …Rosselli, M. (2010) Illiteracy: The Neuropsychology of Cognition Without Reading. Archives of Clinical Neuropsychology, 25 (8), 689–712. Baldivia, B., Andrade, V., & Bueno, O. (2008). Contribution of education, occupation and cognitively stimulating activities to the formation of cognitive reserve. Dementia & Neuropsychologia, 2 (3), 173-182. Bruandet, A., Richard, F.,Bombois, S.,Maurage, C.,Masse,I., Amouyel, P., Pasquier, F. (2008). Cognitive decline and survival in Alzheimer's disease according to education level. Dementia and Geriatric Cognitive Disorders, 25, 74-80. Castro, S. L., Martins, L., & Cunha, L. (2003,August). Neuropsychological screening with a Portuguese Stroop test. Poster session presented at the 111th Annual Convention of the American Psychological Association, Toronto. Dubois, B., Slachevsky, A., Litvan, L., & Pillon, B. (2000). The FAB: A frontal assessment battery at bedside. Neurology, 55, 1621-1626. Folstein, M. F., Folstein, S.E., & McHugh, P.R. (1975).“Mini mental state”: A practical method forgrading the cognitive state of patients for the clinician. Journal of Psychiatric Research, 12 (3), 189-198. Glisky, E. L. (2007). Changes incognitive function in human aging. Em D. R. Riddle (Ed.), Brain Aging Models, Methods, and Mechanisms. Frontiers in neuroscience (pp.3-20). BocaRaton (FL): CRC Press. Lezak M. (2004). Neuropsychological Assessment (4ªEd.) New York: Oxford University Press. Meyers, J., & Meyers, K. (1995). Rey Complex Figure Test under four diferent administration procedures. The Clinical Neuropsychologist, 9 (1), 63-67. Rosselli, M., & Ardila, A. 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