Anais do XXVI Simpósio Nacional de História ANPUH • São Paulo, julho 2011 1 Prática fotográfica amadora em Belo Horizonte entre aficionados e apertadores de botão (1951-1966) LUCAS MENDES MENEZES * Na realidade belo-horizontina a fotografia integra a história da cidade mesmo antes da sua fundação. O gabinete fotográfico da Comissão Construtora da Nova Capital (CCNC) foi responsável pela documentação da construção e pela divulgação das imagens da nova capital de Minas Gerais entre os anos de 1894 e 1897 (BARTOLOMEU, 2003). A partir de 1897 a cidade já vai contar com os serviços de fotógrafos estabelecidos em estúdios, alguns deles ex-membros da CCNC. Em decorrência das transformações da cidade e do desenvolvimento industrial e tecnológico da fotografia, o campo fotográfico em Belo Horizonte se desenvolve para além da atuação dos fotógrafos de estúdio. Segundo Luana Campos (2008), o comércio fotográfico na cidade que se dava inicialmente através das “casas de variedades”, caminhou fundamentalmente a partir dos anos 1930 para a “diferenciação e especialização” em três segmentos distintos. Para a autora, além dos estúdios e ateliês de fotógrafos profissionais, os laboratórios de revelação e ampliação e as lojas (principalmente óticas) que forneciam suprimentos fotográficos são relevantes para a compreensão deste processo. Campos ainda argumenta que, a partir dos anos 1940, é sensível o aumento do número de lojas que passavam a se dedicar exclusivamente à fotografia na cidade. O crescimento da prática fotográfica amadora está diretamente ligado ao desenvolvimento industrial e comercial da fotografia. Os aparelhos de simples manejo lançados pela Kodak a partir da década de 1880, a invenção das câmeras de pequeno formato no início do século XX, o desenvolvimento de filmes flexíveis e o crescimento de indústrias japonesas (principalmente na década de 1950) que propunham automatismos que passavam a exigir cada vez menos das habilidades e do bolso do fotógrafo são representativos desse contexto. A fundação do Foto Clube Minas Gerais (FCMG), em agosto de 1951, a partir da reunião de quatro fotógrafos amadores de Belo Horizonte, é um importante elemento para se pensar o desenvolvimento da prática fotográfica na cidade. O FCMG era * Mestrando em História pela Universidade Federal Fluminense e bolsista do CNPq.