VIII SEPEsq Semana de Pesquisa, Pós-graduação e Extensão do Centro Universitário Ritter dos Reis 1 VIII SEPEsq de 05 a 09 de novembro de 2012 Belo Monte: radiografia de um conflito que ultrapassa fronteiras Cristine Koehler Zanella Mestre em Integração Latino-Americana (UFSM) e Doutoranda em Estudos Estratégicos Internacionais (UFRGS) Professora do Centro Universitário Ritter dos Reis Pesquisadora do Projeto de Pesquisa “O desafio energético: o Brasil entre tensões institucionais e a busca pela autossuficiência com a construção da Usina de Belo Monte”, vinculado ao Curso de Relações Internacionais do UniRitter cristine_zanella@uniritter.edu.br Resumo: A construção da usina hidrelétrica Belo Monte, seja por sua proporção, seja por seus impactos, tem movimentado atores favoráveis e contrários ao empreendimento. Em tal contexto, o artigo propõe-se a sistematizar os argumentos que têm sido emitidos pró e contra a pertinência e o futuro da UHE Belo Monte. 1 Introdução Muitas opiniões e manifestações têm sido ouvidas sobre a construção da hidrelétrica de Belo Monte. A construção do empreendimento que será a terceira maior hidrelétrica do mundo (atrás apenas de Três Gargantas, na China, e Itaipu, no Brasil), seja por sua proporção, seja por seus impactos, já levantou vozes favoráveis e contrárias tanto nacional quanto internacionalmente. Inexiste, porém, o mesmo interesse de sistematizar os argumentos levantados por parte da academia. Para dar início ao preenchimento dessa lacuna, o presente artigo investiga as razões utilizadas pró e contra a construção da obra. Assim, inicialmente são apresentados dados sobre a hidrelétrica e seu projeto. Em seguida, os argumentos favoráveis à construção e, por fim, os argumentos contrários. Ao longo do trabalho poderão se entrever atores internacionais que se manifestaram sobre o conflito, evidenciando a dimensão que o confronto de posições já envolve. 2 O projeto da UHE Belo Monte A Usina Hidrelétrica Belo Monte (denominada UHE Belo Monte) é um empreendimento cujo projeto original remonta à década de 1970. A usina está sendo construída no curso do Rio Xingu, estado do Pará, no norte do Brasil (Figura 1). Sua construção prevê o represamento das águas do rio na barragem principal antes da “curva grande do Xingu” para canalização e movimentação das turbinas com a consequente geração de energia elétrica.