1 2 HEMISFERIZAÇÃO E ORIENTAÇÃO CARTOGRÁFICA UTILIZANDO O MAPA CORPORAL COMO INSTRUMENTO DE DIDATIZAÇÃO NO ENSINO DA GEOGRAFIA Olavo Fagundes da Silva Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Amapá Instituto de Ensino Superior do Amapá Grupo de Pesquisas Percepções do Amapá olavo@unifap.br Adel da Silva Formigosa Instituto de Ensino Superior do Amapá adeldasilva@yahoo.com.br Ozimara Nogueira Sousa Instituto de Ensino Superior do Amapá ozimara@hotmail.com Resumo: O trabalho apresenta e discute duas práticas adicionadas ao mapa corporal relacio- nada ao conhecimento dos hemisférios terrestres e da orientação cartográica com base na rosa dos ventos. O objetivo foi aplicar e avaliar esses novos elementos de práticas educativas no ensino da Geograia para os discentes do segundo ano das séries iniciais. A metodologia consistiu na aplicação de um questionário avaliativo simpliicado em dois momentos, o primeiro para controlar o nível de conhecimento sobre os conteúdos antes da aplicação da prática e um segundo momento para avaliar os conhecimentos logo após sua aplicação. Os instrumentos foram aplicados entre os dias 04 de outubro e 08 de novembro de 2010 em duas turmas da Escola Municipal de Ensino Fundamental Amapá e uma turma da Escola Municipal de Ensino Básico Amazonas, da rede pública municipal das cidades de Macapá e Santana respectivamente. A prática de confecção do mapa corporal adicionando-se os co- nhecimentos relacionados aos hemisférios terrestres e orientação cartográica proporcionou um maior entrosamento entre os discentes além da signiicativa melhoria no processo de ensino-aprendizagem relacionados a esses conteúdos da Geograia para as séries iniciais. Palavras-chave: Séries iniciais. Prática. Direções. Hemisférios Introdução Aprender a identiicar, localizar, organizar, representar e compreender objetos no espaço ainda é tarefa relativamente complexa no meio escolar, mesmo no meio acadêmico, para áreas não relacionadas diretamente com a Geograia. De acordo com Castrogiovanni (2003) isso se deve em grande parte à falta de “alfabetização espacial”, um processo que deve ser entendido como imprescindível para que se possa apreender os conceitos e categorias fundamentais da ciência Geográica. Uma das questões que deveria permear os conteúdos introdutórios da Geograia deve ser: por que é importante levar a criança a pensar e representar o seu espaço imedia- to? Um mapa da sala de aula ou um croqui do percurso de casa a escola ajuda a criança a pensar o espaço no sentido de lugar localizável (onde eu estudo, onde moro) a partir das referencias espaciais observadas e descritas através dos mapas. A criança também aprende a observar as diferenças existentes nesses lugares, sendo levada a transportar ainda que de forma inconsciente essas diferenças. Sobre o conceito de lugar, Castrogiovanni (2003, p.15) lembra que: O lugar é formado por uma identidade, portanto o estudo dos lugares deve contemplar a compreensão das estruturas, das ideias, dos sentimentos, das paisagens que ali existem com as quais os alunos estão envolvidos ou que os envolvem. Para Lacoste (1997, p189) “Saber pensar o espaço, para saber nele se organizar, para saber ali combater” é condição imprescindível no processo ensino-aprendizagem na Geograia. O espaço deve ser pensado pelo professor numa perspectiva clara da realidade para que se possa no momento apropriado (quando da percepção das diferenças por parte da criança) compartilhar o porquê das diferenças espaciais. A compreensão das diferenças no espaço passa pela percepção de que o espaço geográico apresenta três níveis de orga- nização conforme salienta Corrêa (1996): O espaço absoluto: o espaço em si, área, um sítio, um terreno de tantos metros quadrados ou hectares. O espaço relativo: visto a partir das relações entre objetos, por exemplo, uma cidade ligada à outra por pavimentação e outra não. O espaço relacional: aquele que é construído e expressa na paisagem às diferenças oriun- das das diferentes relações sociais. Ex: a paisagem urbana de um conjunto de classe média alta em contraste com a paisagem de um conjunto popular, onde as relações sociais com os centros decisórios de poder estão sempre a favor do primeiro em detrimento do segundo. Para se chegar ao nível de análise do espaço proposto por Corrêa (1996) há um caminho de construção passo-a-passo que precisa ser percorrido gradativamente. Cas- trogiovanni (2003) lembra que até os oito anos de idade a criança é capaz de usando as relações projetivas, dar a posição dos objetos a partir do seu ponto de vista. A apreensão do meio envolvente é um das maneiras mais conhecidas para se iniciar processo de alfa- betização espacial. Castrogiovanni (2003) ressalta que o desenvolvimento do esquema corporal na criança ocorre gradativamente, a visão de espaço é ampliada na medida em que vai ganhando autonomia e maturidade em relação ao espaço. Logo, na escola, ela passa a conviver em um