1 MODELAGEM DE ROTAS DE PEDESTRES Júlio Celso Vargas LASTRAN - Laboratório de Sistemas de Transportes PPGEP – Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul RESUMO No contexto das recentes iniciativas de estímulo aos modos não-motorizados de viagem, uma ampla frente de pesquisa vem sendo construída no sentido de compreender o comportamento dos pedestres, especialmente em áreas urbanas e regiões especificas como cruzamento e travessias. Mais especificamente, a modelagem das trajetórias dos caminhantes parece ser um tema pertinente, que, no entanto, ainda não tem recebido tenta atenção quanto os aspectos “clássicos” da engenharia de tráfego: velocidades, ocupação do espaço, interação com outros pedestres e veículos, enfatizando os atributos dos pedestres que podem ser simulados. Este artigo procura estruturar o conhecimento relativo ao tema das trajetórias, enunciando, sem a pretensão de realizar uma revisão extensiva da área, algumas abordagens, métodos, modelos e ambientes de simulação. 1. INTRODUÇÃO Entre os vários modos de transporte, o modo a pé pode ser considerado aquele mais “natural”. Contudo, sob o ponto de vista da Engenharia de Transportes, ele é considerado o mais complexo de ser modelado, pois, contrariamente aos outros modos de viagem, o pedestre não está associado a qualquer veículo, cujo comportamento é normalmente mais previsível. Como reflexo dessa visão, a maioria dos simuladores de tráfego operacionais tem o veículo e a circulação viária como foco principal. Para o pedestre, a infraestrutura de deslocamento é muito heterogênea, envolvendo, além das calçadas (equivalentes as faixas de circulação), cruzamentos, prédios, lojas, praças, etc. No contexto atual, onde a sustentabilidade urbana, ambiental e econômica é a referência central, os modos ativos de viagem têm sido mais valorizados, e a pesquisa específica sobre o modo a pé passou a se desenvolver mais amplamente. A literatura, no entanto, se concentra quase exclusivamente nas características do tráfego, especialmente a velocidade e o comportamento dos diversos tipos de pedestres, andando sozinhos ou em grupos, buscando identificar fatores que a influenciem e trabalhar adequadamente medidas de planejamento e projeto. O HCM (Highway Capacity Manual) 2000 traz um capítulo especialmente dedicado aos pedestres como uma importante inovação. Porém o foco, - como o de todo o Manual - é na análise das capacidades e níveis de serviço das infraestruturas para pedestres. Calçadas, passeios, terminais, escadas e caminhos exclusivos são analisados do ponto de vista das relações fundamentais do tráfego e das respostas que a engenharia deve dar. São estudadas em detalhe áreas de acumulação e, especialmente os cruzamentos e travessias (TRB, 2000). Este ponto é o mais explorado pela literatura, pois as travessias são os locais onde ocorrem os principais atrasos de pedestres e veículos e os maiores riscos decorrentes de sua interação (Jacobsen, 2011). Do ponto de vista da modelagem a literatura especializada tem reportado o surgimento de novos modelos para, principalmente, a gestão das infraestruturas de pedestres. Entre esses modelos, os mais encontrados são os de planejamento de evacuação de edifícios, os modelos de manejo de multidões e de simulação de congestionamentos causados pelo intenso fluxo de