Para: Revista Sociologia Jurídica ou seção Artigos & Textos Autor: Jeison Giovani Heiler Mestrando em Sociologia Política pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. Professor nas Disciplinas de Antropologia Jurídica, Ciência Política e Teoria Geral do Estado, Antropologia Jurídica e Direito Previdenciário no Curso de Graduação em Direito da UNERJ/PUC de Jaraguá do Sul e de Direito da Seguridade Social na FAMEG/UNIASELVI em Guaramirim.. E-mail: jeisonheiler@gmail.com Perda da centralidade do trabalho, estado de exceção e as condições da democracia - The loss of centrality of work excpetion state and conditions of democracy Jeison Giovani Heiler 1 “Prezados concidadãos, disse, o resultado das eleições que hoje se realizaram na capital do País foi o seguinte, partido da direita, oito por cento, partido do meio oito por cento, partido da esquerda, um por cento, abstenções, zero, votos nulos, zero, votos em branco, oitenta e três por cento. Fez uma pausa para levar aos lábios o copo de água que tinha ao lado e prosseguiu, O governo, reconhecendo que a votação de hoje veio confirmar, agravando-a, a tendência verificada no passado domingo e estando unanimamente de acordo sobre a necessidade de uma séria investigação das causas primeiras e últimas de tão desconcertantes resultados, considera, após ter consultado com sua excelência o chefe do estado, que a sua legitimidade para continuar em funções não foi posta em causa (...)” (José Saramago – Ensaio sobra a Lucidez – p. 35) Resumo: O presente artigo busca relacionar a idéia da perda da centralidade do trabalho à colonização da política pela economia, com vistas à assunção de uma democracia mais substantiva. A partir do pensamento de Ellen M. Wood, resgata-se a posição do trabalhador livre na antiga Grécia, vislumbrado como ponto nevrálgico do êxito daquele modelo de democracia. Essa posição será identificada com a perda da centralidade do trabalho, para em seguida abordar-se o problema verificado tanto por Wood quanto por Francisco de Oliveira, no isolamento/separação entre as esferas econômicas e política. Ao final demonstra-se como a colonização da política pela economia instaura um estado de exceção permanente e é condição de existência do próprio capitalismo moderno dependente do Estado-Nação. Sumário: I – O trabalhador livre na Grécia antiga II - A verdadeira questão democrática: Qual o papel político de sapateiros e ferreiros? III – A perda da Centralidade do Trabalho – Tentando responder a questão: O que seria necessário para se recuperar, num contexto muito diferente, a importância da cidadania na antiga democracia e o status do cidadão trabalhador? IV - A colonização da política pela economia e estado de exceção. Palavras-Chave: Democracia; Ellen Weiksins Wood, Francisco de Oliveira; Perda Centralidade Trabalho; Estado de Exceção; Colonização da Política pela Economia. 1 Mestrando em Sociologia Política pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. Professor nas Disciplinas de Antropologia Jurídica, Ciência Política e Teoria Geral do Estado, Antropologia Jurídica e Direito Previdenciário no Curso de Graduação em Direito da UNERJ/PUC de Jaraguá do Sul e de Direito da Seguridade Social na FAMEG/UNIASELVI em Guaramirim.