Sobre a “nova” romanização da Grécia: inversões historiográficas Fábio Augusto Morales 1 ABSTRACT: Motivated by the recent publication of Spawforth`s Greece and the Augustan Cultural Revolution, this paper aims to discuss the inversions suffered by the concept of „Romanization‟, while used for the analysis of Roman Greece`s culture, in the historiography of the last decades. It is not proposed an extensive bibliographical survey, but rather a discursive archaeology, showing the different meanings of the term and the respective academic and political compromises assumed. KEY-WORDS: Romanization; Roman Greece; Post-colonialism; Historiography. RESUMO: Motivado pela recente publicação do livro de Spawforth, Greece and the Augustan Cultural Revolution, este artigo procura discutir as inversões sofridas pelo conceito de “romanização”, quando aplicado para a análise da cultura da Grécia Romana, na historiografia das últimas décadas. Não se trata de um levantamento exaustivo da bibliografia, mas antes uma arqueologia discursiva, mostrando os diferentes significados do termo e os respectivos compromissos acadêmicos e políticos assumidos. PALAVRAS-CHAVE: Romanização; Grécia romana; Pós-colonialismo; Historiografia. “A utilidade do conceito de romanização é amplamente questionada hoje em dia, principalmente pelos arqueólogos que o inventaram. Existe alguma força na visão de que [este conceito] foi usado tão vagamente no estudo recente de modo a não ter um sentido claro: „uma palavra que tem muitos sentidos não tem nenhum sentido‟ (Le Bohec). Onde este livro aplica o termo alternativo „romanidade‟ para a população provincial, significa a disposição de sua parte em imitar a cultura dos romanos de Roma e Itália. Dito isto, é preciso admitir que as antigas conotações de „romanização‟, de um poder governante que 1 Doutorando em História Social pela Universidade de São Paulo, sob orientação do Prof. Dr. Norberto L. Guarinello, com apoio do CNPq.