Anais Eletrônicos da XI Semana de História História e Interdisciplinaridades: Confluências ISSN 2238-071X JUAREZ TÁVORA E AS IDEIAS DE SINDICALISMO-COOPERATIVISTA E CRISTIANISMO SOCIAL PARA A ORGANIZAÇÃO DO ESTADO BRASILEIRO Luiz Felipe Cezar Mundim 1 Sempre que os estudos históricos se debruçam sobre as fontes acerca da coluna Miguel Costa- Prestes, sobre o movimento de 1930 e sobre todo o tenentismo em sua acepção conceitual que lhe foi atribuída na historiografia, a figura de Juarez Távora é constante como personagem decisivo. A ele foi conferido um dos principais papéis na incursão dos militares revoltosos na década de 1920, desde o primeiro 5 de julho, de 1922, e em todos os movimentos que se seguiram contra o governo, até a vitória da “Revolução” de 1930. A sua trajetória na historiografia, a partir disso, durante as décadas de 1930, 1940 e 1950, é observada como repositório automático do ideário tenentista que se estenderia até a ESG, apesar da própria distância histórica compreendida na realidade militar brasileira durante esse período 2 . Entretanto, falta a esse personagem análise mais detida do conjunto da sua obra, não como mero demonstrativo das ideias que motivaram a sua trajetória política, mas que busque a dinâmica da relação da mesma trajetória com o meio institucional em que produzia e reproduzia as suas ideias, as mudanças e a evolução de suas posições e opções. Essa preocupação torna-se latente no simples contato com certos elementos pormenorizados da sua obra, pois abrem o questionamento sobre a tão comum ligação mecânica das ideias de Juarez Távora apenas com o ideário militar. O que esta comunicação coloca em questão é que: muito embora o espírito corporativo estivesse presente na atuação político-militar de Távora, ao se 1 Doutorando do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 2 Das principais obras em que Juarez Távora aparece com alguma notoriedade nas análises, ver: Vavy Pacheco BORGES, Tenentismo e Revolução Brasileira, 1992; José Murilo de CARVALHO, Forças Armadas e Política no Brasil, 2005; Eduardo Munhoz SVARTMAN, Guardiões da Nação, 2006, p. 82-90, 120-142 e 170-206; Maria Cecília FORJAZ, Tenentismo e política: tenentismo e camadas médias urbanas na crise da Primeira República, 1977; Edgard CARONE, O Tenentismo, 1976, na primeira parte, letras F, N, O e toda a segunda e terceira parte do livro.