ESTRUTURA POPULACIONAL DO TAMBAQUI (Colossoma macropomum, CUVIER 1818) NA RESERVA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL PIAGAÇU-PURUS Lucas PEREIRA (1); Júlio SILVA (2); Luiz CLARO-Jr (3); Sandra DARWICH (4) (1) Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas Campus Manaus Centro - IFAM, Av. Sete de Setembro nº 1975 - Centro, e-mail: lukas.g.a.p@hotmail.com (2) Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas Campus Manaus Centro - IFAM, Av. Sete de Setembro nº 1975 - Centro, e-mail: julio_cesar_15@hotmail.com (3) Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas Campus Manaus Distrito Industrial - IFAM, Av. Governador Aerosa s/n – Distrito Industrial, e-mail: luizclaro@ifam.edu.br (4) Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas Campus Manaus Centro - IFAM, Av. Sete de Setembro nº 1975 - Centro, e-mail: sandra_magni@yahoo.com.br RESUMO O tambaqui perfaz grande parte do pescado na capital do Amazonas, assim como em cidades do interior, sendo indispensável aos ribeirinhos. Embora relativamente presente nas longas pescarias efetuadas pelos barcos recreios, percebe-se que a maioria do tambaqui pescado corresponde a indivíduos jovens, caracterizando assim, a sobrepesca desta espécie. A Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçu-Purus (RDS-PP) localiza-se no baixo rio Purus e possui uma produtividade de tambaqui reconhecida em Manaus. Em razão desses fatos objetivamos caracterizar a população de tambaqui na RDS-PP, especificando uma análise da eficácia da Portaria nº 8 de 2 de fevereiro de 1996 do Ibama para acusar a sobrepesca na RDS-PP. A pesca foi realizada durante 24 meses em dois setores da região norte da Reserva, a saber: Caua-Cuiuanã e Ayapuá. Como resultado, tivemos que esses dois ambientes diferem significativamente entre si quanto à distribuição populacional do tambaqui, além de apresentarem comprimentos modais, indicativos de coortes, de indivíduos jovens desta espécie. A heterogeneidade populacional do tambaqui entre os setores amostrados nos mostra que, qualquer que seja o plano de política pública que venha a ser executado na RDS-PP, o mesmo deve considerar os ambientes da várzea e terra firme como ecótonos distintos, considerando apenas a distribuição desta espécie. Além disso, concluímos que esta espécie vem sendo sobrepescada dentro da RDS- PP, de modo que a referida Portaria do Ibama não está sendo efetuada com apreensão. Palavras-chave: tambaqui, ecologia, manejo, pesca 1 INTRODUÇÃO Recentemente o tambaqui (Colossoma macropomum) foi identificado como a espécie mais representativa na “pesca da caixinha”, correspondendo a cerca de 25% do total de espécies comercializadas neste tipo de atividade na região Norte da RDS-PP (DEUS et al., 2010). Não obstante, o esforço de pesca, combinado à seletividade dos apetrechos e suprimento de gelo levou a um declínio nas capturas de indivíduos adultos, os quais são mais valorados, e uma seleção de indivíduos jovens (ruelos) durante o histórico da pesca desta espécie (LIMA & GOULDING, 1998). Grande parte do tambaqui desembarcado em Manaus vem da bacia do rio Purus, que contribui com aproximadamente 60% do total de pescado comercializado nas feiras e mercados desta cidade. Esta expressiva porcentagem torna o rio Purus um dos maiores produtores de peixes da bacia amazônica. Sua importância vai além disto, pois acredita-se que o rio Purus apresenta uma população própria de tambaqui, isto é, a espécie não deixa a bacia para se reproduzir tornando um criadouro natural de tambaqui (DEUS et al., 2010). Estes dados colocam a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçu-Purus como uma área de fundamental importância para a preservação da pesca do tambaqui.