A INTERTEXUALIDADE ENTRE OS GAMES E O CINEMA: CRIANDO ESTÓRIAS PARA ENTRETENIMENTO INTERATIVO Dulce Márcia Cruz, Dra. dulcemarcia@yahoo.com.br Departamento de Metodologia de Ensino – Men Centro de Educação – CED Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC CRUZ, D. M. . A Intertextualidade entre os games e o cinema: criando estórias para entretenimento interativo. In: SILVA, Eliane de Moura; MOITA, Filomena Maria Gonçalves da Silva Cordeiro; SOUZA, Robson Pequeno de.. (Org.). Jogos Eletrônicos: construindo novas trilhas. 1 ed. Campina Grande: EDUEP, 2007, v. 1, p. 123-142. RESUMO O objetivo do artigo é discutir alguns aspectos da relação entre as narrativas cinematográfica e digital, a partir de algumas das semelhanças e diferenças entre os roteiros dos games e do cinema. A partir de uma revisão bibliográfica de narrativas ficcionais, construção de roteiros e do papel do herói mitológico nos roteiros lineares e não-lineares foi feita uma análise da narrativa e dos personagens do jogo Final Fantasy IX. Palavras-chave: games, cinema, narrativa, cibercultura. INTRODUÇÃO Alguns autores acreditam que os games podem ser vistos tanto como parte da tradição da narrativa literária como da dos jogos. Kücklich (2003), por exemplo, afirma que alguns games transcendem a categoria dos jogos pela virtude de sua habilidade de contar uma história. O que se percebe é que a narrativa nos games se torna cada vez mais complexa e semelhante às representações fílmicas principalmente pelo avanço da tecnologia. Dessa maneira, o papel central de qualquer narrativa num game é providenciar um esquema de ação significativo e pré-escrito, ou seja, contar uma história com um novo propósito, uma narrativa pragmática, comprometida para gerar um jogo envolvente, dentro dos limites da tecnologia (Klevjer, 2001). Pelas suas características narrativas (o jogo acontece num tempo, espaço a partir de uma ação) e, que ao mesmo tempo, envolvem os elementos da linguagem cinematográfica (som, imagem, movimento, enredo, montagem, personagens, cenários, etc.), os games tem se aproximado cada vez mais do cinema. Kinder (2001) avalia que a convergência entre o cinema e os games parece cada vez mais inevitável. Grieg (2002) diz inclusive que, apesar de estarem competindo num mercado bilionário, a convivência das duas indústrias tem sido pacífica, pois filmes e games não