ABORDAGENS EPISTEMOLÓGICAS DA COGNIÇÃO: A ANÁLISE COGNITIVA NA INVESTIGAÇÃO DA CONSTRUÇÃO DE CONHECIMENTO Ana Lúcia Lage Teresinha Fróes Burnham José Luis Michinel 1. INTRODUÇÃO Este texto discute as possíveis abordagens epistemológicas da cognição. Esta reflexão nos leva de volta às origens das Ciências Cognitivas, à sua proposta original de campo interdisciplinar, tecendo relações entre a inteligência artificial, a neurociência, a linguística, a psicologia cognitiva, a antropologia e a filosofia, e às suas grandes linhas de trabalho epistemológicas – cognitivismo, conexionismo e enaccionismo. Em seguida, amplia a discussão para incluir novas disciplinas ‐ a biologia do conhecimento, a sociologia do conhecimento, a antropologia cognitiva, a psicologia social e as ciências da computação e da informação ‐ áreas de significação que atualmente compõe o campo ampliado das Ciências Cognitivas, onde se insere a Análise Cognitiva. Esta discussão será feita assumindo a Análise Cognitiva e a Multirreferencialidade como referenciais teórico‐epistemológicos permitindo uma re‐significação das áreas que configuram as Ciências Cognitivas. A análise cognitiva, este duplo campo cognitivo/epistemológico, enfoca a estudo do conhecimento a partir dos seus processos de construção, transdução e difusão, visando o entendimento de linguagens, estruturas e processos específicos de diferentes disciplinas, com o objetivo de tornar essas especificidades em bases para a construção de lastros de compreensão inter/transdisciplinar e multirreferencial. Assim, este campo se institui com o compromisso da produção e socialização de conhecimentos numa perspectiva aberta ao diálogo e interação entre essas diferentes disciplinas e a sua tradução em conhecimento público (FRÓES BURNHAM, 2010). A multirreferencialidade, proposta por Ardoino, introduz a noção de um olhar plural sobre objetos e fenômenos ‐ que são em si plurais ‐ e o uso de múltiplas linguagens para apreendê‐los na sua pluralidade constitutiva. A sua investigação se dá por meio da análise do processo cognitivo de construção do conhecimento, que não se detém no objeto de conhecimento, mas no próprio processo a ser apreendido mais globalmente através da familiarização, buscando explicitá‐lo, elucidá‐lo