Scientia Traductionis, n.11, 2012 http://dx.doi.org/10.5007/1980-4237.2012n11p368 ANTOINE BERMAN, LEITOR DO ROMANTISMO ALEMÃO SIMONE PETRY Resumo: O presente ensaio apresenta preliminarmente o projeto de pesquisa A tradução como obra: relações entre a leitura Bermaniana do conceito românti- co de obra de arte e sua reflexão sobre tradução, que tem como objetivo princi- pal estudar a noção de tradução como obra, nos termos em que essa noção é desenvolvida no contexto das reflexões de Antoine Berman, com ênfase na dis- cussão de seus pressupostos críticos e teóricos − como manifestação de uma vi- são particular da crítica e da obra de arte no contexto do Romantismo alemão. Abstract: This essay is a preliminary presentation of a research project entitled Translation as work of art: Antoine Ber- man's reading of the romantic concept of work of art and his reflections on trans- lation. The main objective of that study is to investigate the notion of translation as a work of art, pursuant to the terms in which this notion is developed in the context of Antoine Berman's reflections, emphasizing the discussion of its critical and theoretical assumptions − as a mani- festation of a particular view of literary criticism and of the work of art in the context of German Romanticism. Palavras-chave: Antoine Berman; tradu- ção; crítica literária; Romantismo ale- mão. Keywords: Antoine Berman; translation; literary criticism; German Romanticism. Um início de conversa a França, entre as décadas de 1960 e 1970, ganhava contornos um debate ético e político impulsionado por uma crítica à am- biguidade de certa tendência no comportamento francês, carac- terizada pela contradição de uma (pseudo)abertura ao estrangeiro: um distanci- amento entre aquilo que proclamava o discurso político e o real destino dos re- fugiados e dos imigrantes. Essas discussões giravam em torno de temas desde sempre problematizados nos mais diversos discursos e contextos; porém, consi- dera-se que a partir dessa época, nos discursos ditos modernos, eles encontraram seu próprio lugar enquanto questão, como, por exemplo, as discussões voltadas à relação com o outro e com o próprio. Buscava-se, assim, especialmente no ca- N