1 “Trocando olhares : Normas sociais e interações visuais” por Stéphane Malysse “O outro é, por princípio, aquele que me olha.” Jean-Paul Sartre. O que é visto depende tanto de quem olha, e de como olha, quanto da pessoa olhada por ele ou por ela. O que se troca quando os olhares se cruzam? Pelo olhar expressamos ternura, raiva ou medo, sentimos atração ou indiferença... mas o papel do olhar não se limita à expressão de emoções. Sendo ao mesmo tempo um canal e um sinal, um meio de comunicação e uma mensagem, o olhar participa de todas as situações sociais. Em épocas e sociedades 1 diferentes a ritualidade do olhar (onde, quando e como colocar seus olhos no Outro?) varia muito: ela corresponde à uma ordem simbólica 2 que muda de forma, variando tanto de uma cultura à outra quanto numa mesma cultura, entre grupos sociais diferentes. Vulnerável às variações contextuais, a ritualidade do olhar também muda conforme as posições sociais dos atores presentes, seus graus de parentesco ou de familiaridade, e suas intenções recíprocas 3 . Nas trocas sociais e nos sistemas de (re)conhecimento o papel do olhar é central. Na vida cotidiana, é o olhar que nos permite interpretar as aparências do outro 4 e nos situar na imensa rede de olhares anônimos do espaço público. Nas ruas, onde as interações sociais se