Paulo Freire e Milton Santos: aproximações, seduções Aristóteles de Paula Berino 1 Monique de Oliveira Silva 2 Em toda fronteira há arames rígidos e arames caídos. Canclini (1998: 349) Por que Paulo Freire e Milton Santos juntos? Este artigo foi escrito a partir de algumas questões que preparamos para um minicurso apresentado na III Semana Paulo Freire, na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, em outubro de 2008. O evento recebeu o título geral de Pluralidades & Educação, proposta que orientou o nosso interesse em produzir uma discussão que relacionasse o pensamento do geógrafo Milton Santos com a perspectiva de prática educativa presente na obra de Paulo Freire. A ideia de “pluralidades” relativa à educação foi, então, uma oportunidade para debater e testar a possibilidade e o mérito de aproximar os dois autores. Sim, porque a sugestão de que a educação deve ser plural, multiplicando visões, vozes e reconhecimentos, é um convite para cruzar fronteiras, romper o que já está acomodado, problematizando nossas convicções diante daquilo que ainda não foi experimentado. Ou seja, a concepção de que educação e pluralidade devem conviver vislumbra que o contato fortalece, enriquece 3 . Então, juntar Paulo Freire e Milton Santos é cruzar uma fronteira? Acreditamos que é sim. São dois autores que, aproximados, tocam-se em uma estimulante zona de ideias, de pensamentos e proposições e este encontro ainda é pouco explorado. A lembrança dos dois autores juntos não é inédita 4 , mas trata-se de um virtual contato a 1 Professor do Departamento de Educação e Sociedade (IM/Nova Iguaçu) e do Programa de Pós- Graduação em Educação, Contextos Contemporâneos e Demandas Populares, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (PPGEduc – UFRRJ). Pesquisador dos grupos Estudos Culturais em Educação (IM/UFRRJ – IA/UERJ), Currículos, redes educativas e imagens (UERJ) e do LEAFRO (NEABI – UFRRJ). 2 Aluna de graduação do curso de Pedagogia do Instituto Multidisciplinar da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (IM – UFRRJ). Participante dos grupos de pesquisa Estudos Culturais em Educação (IM/UFRRJ – IA/UERJ) e Currículos, redes educativas e imagens (UERJ). 3 Foi com esta mesma abertura que outra mistura foi arriscada: Paulo Freire e Michel Foucault. Tema de outro artigo presente nesta coletânea de trabalhos. 4 Cf. SILVA, Etevaldo Luiz. Paulo Freire e Milton Santos. Um encontro em favor da cidadania e da solidariedade. Revista E-Curriculum, São Paulo, v. 3,n. 2, p. 1- 10, jun. 2008. Revista E-Curriculum: www.pucsp.br/ecurriculum