12. AS DUNAS COSTEIRAS ADJACENTES AO ESTUÁRIO Ulrich Seeliger & César Serra Bonifácio Costa INTRODUÇÃO A fisiografia e cobertura vegetal das dunas costeiras representam, entre outros, a integração de processos que ocorrem em ambientes adjacentes, tanto marinho (Shermann 1995; Hesp 1999), quanto terrestre. Diferentes formações fisiográficas das dunas resultam de mudanças climáticas (Carter 1988; Van der Meulen & Jungerius 1989) ou de interferências humanas prolongadas (Seeliger et al. 2000; Marins et al. 2003). Um dos principais processos que afetam as dunas costeiras é a alteração no nível do lençol freático, regida por padrões anuais de precipitação em regiões adjacentes (Van Dijk 1989; Muñoz-Reinoso 2001). A elevação do nível do lençol freático estabiliza o substrato arenoso e favorece o desenvolvimento de uma cobertura vegetal mais densa, enquanto um baixo nível facilita a movimentação de areia e pode levar em poucos anos à redução ou eliminação da cobertura vegetal (Grootjans et al. 1991; Seeliger et al. 2000). o o Entre o sul da Barra do Rio Grande (32 21`S) e o Arroio Chuí (33 52`S), dunas costeiras se estendem em direção ao continente por cerca de 3 km. Diferenças na orientação do litoral, características da praia e morfologia das dunas frontais separam esta costa em dois setores de aproximadamente 100 km cada. O trecho da Barra do Rio Grande até as o proximidades do Farol Verga (33 00`S) apresentava, até a década de 1980, um cordão de até 6 m de altura, formado pela resposta positiva de crescimento da gramínea Panicum racemosum à abundante deposição eólica de areia da praia pelos ventos do quadrante NE (Cordazzo & Seeliger 1987; 1988; Costa et al. 1991; Seeliger 1992, 1997). No trecho da costa, ao sul do Farol Verga até o Chuí, o aporte de areia da praia para as dunas é menor, devido à incidência paralela dos ventos do quadrante NE (Seeliger 1992, 1997). Neste último trecho, os cordões e a vegetação das dunas frontais são substituídas por pequenas dunas assimétricas vegetadas, principalmente, por moitas de Spartina ciliata (Cordazzo & Seeliger 1987). Feições erosivas como extensos lençóis de areia e planos de deflação se tornam mais frequentes (Fig. 12-1). 2 A Lagoa Mirim, com 3750 km , é o corpo principal d'água da parte sul da planície costeira. A lagoa recebe a água de chuvas de uma bacia de 2 drenagem de 57100 km , podendo ser dividida em cinco sub-bacias. A sub- bacia Mangueira-Taim descarrega águas através de arroios para o mar ou através uma saída controlada por comportas no Banhado do Taim, para a Lagoa Mirim (Fig. 12-1). A precipitação e a descarga de tributários da região U. Seeliger & C. Odebrecht O Estuário da Lagoa dos Patos: Um Século de Transformações FURG 2010