MONIÉ, Frédéric (2012): Petróleo, desenvolvimento e dinâmicas espaciais na África subsaariana In: MONIÉ, Frédéric, BINSZTOK, Jacob (org.) (2012): Geografia e geopolítica do petróleo. Rio de Janeiro: Mauad X, p.201-236. ISBN: 978-85-7478-462-5 Petróleo, desenvolvimento e dinâmicas espaciais na África subsaariana Frédéric Monié Departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio de Janeiro Programa de Pós-graduação em Geografia da Universidade Federal do Rio de Janeiro Pesquisador do CNPq fmonie@uol.com.br Introdução Mais de duas décadas após a “crise do petróleo” dos anos 1970, a problemática da segurança energética mundial desenha os contornos de um novo jogo petrolífero marcado pela globalização do mercado do “ouro negro”, pela reestruturação do universo dos operadores, pelo protagonismo crescente das corporações e dos governos dos países emergentes e pela abertura de novas fronteiras de acumulação. A nova conjuntura alimenta uma corrida scramble ao petróleo da África subsaariana que reposiciona gradualmente a região no cenário energético global. Após a primeira onda de investimentos no Golfo da Guiné nos anos 1950, o continente tinha consolidado progressivamente sua participação ao mercado internacional. Mas foi somente a partir da década de 2000 que a região adquiriu um posicionamento mais estratégico num contexto caracterizado por uma valorização dos “barris marginais” e pela adoção de políticas de diversificação de suas fontes de abastecimento por parte dos países consumidores. Mesmo se a faixa sudano-saheliana e o Golfo da Guiné não constituem um “novo Oriente Médio”, a descoberta de importantes reservas de óleo de excelente qualidade, o progresso das condições técnicas de exploração em águas profundas, os quadros regulatórios nacionais favoráveis ao capital estrangeiro e as vantagens logísticas atraem investidores ocidentais e asiáticos. Contrariando a evolução dos bens agrícolas e minerais, o petróleo é assim uma das raras matérias primas para as quais a participação do continente africano no mercado mundial aumenta regularmente. A pujança do atual boom petrolífero contribui para a aceleração do crescimento econômico, para a inserção das economias nacionais nos fluxos da globalização e por um forte aumento das receitas fiscais e de divisas. Mas a expansão da produção e das exportações levanta também questionamentos relativos à seu potencial desenvolvimentista e aos impactos da atividade sobre os espaços e as sociedades.