l Museu de Arte Moderna l Av Infante Dom Henrique 85 Parque do Flamengo l 20021-140 Rio de Janeiro RJ Brasil l T +55 (21) 3883 5600 l www.mamrio.org.br l facebook/museudeartemodernarj 27/05/13 Seminário Reconfigurações do Público Arte Pedagogia e Participação TEM ALGUÉM, ALGO AÍ? O PÚBLICO, OS PÚBLICOS, UM PÚBLICO Cayo Honorato Qual é o papel dos museus de arte na esfera pública? Qual é o papel dos públicos nos museus de arte? Qual é o papel dos públicos na esfera pública, por meio dos museus de arte? Estas não são questões para um único artigo. Antes disso, nem mesmo seus termos são entidades generalizáveis. No entanto, elas terão sustentado este texto, ou sua busca a médio prazo, a partir da seguinte percepção: Embora se façam em nome dos públicos, de um modo geral, os educativos – ou aquilo que a arte-educação e a museologia muitas vezes chamam de mediação cultural ou educação em museus e exposições – têm desaparecido com os públicos. Isso significa que as concepções de público sustentadas por essas instâncias, invariavelmente limitadas a totalidades presumidas (da população ao público em geral) ou empirias mensuráveis (dos públicos específicos ao público-alvo), não têm sido capazes de compreender as complexidades dessa noção, que por sua vez tem sofrido um processo radical de decomposição, quem sabe, de reconfiguração 1 . Muitos problemas se apresentam, em face daquilo que Canclini (2007) chamou de "convergência digital": não só a fusão dos meios, mas, ao mesmo tempo, entre diferentes produtores de conteúdos, capazes de uma produção cada vez mais customizada, cada vez mais just-in-time; o que pretere tanto a noção de "massas homogêneas", quanto de "indivíduos soberanos" (neste caso, capazes de uma relação única e singular com a arte). Em todo caso, sejam os conglomerados da "indústria cultural", sejam as instituições mais ou menos "autônomas" (dentre elas os museus) – na medida em que seguem funcionando com as premissas do broadcast, da difusão cultural ou da distribuição para todos do que é produzido por poucos – vêm sendo pressionados a enfrentar, de maneira cada vez mais inadiável, a problemática da democracia cultural. Outra vez, muitas são as questões que se apresentam a partir dessa problemática. Também elas assombram este texto, mesmo que ele não tenha sido capaz nem se encarregado de respondê-las: De que modo as diferenças (culturais e sociais) participam do coletivo, sem que somente advogando em causa própria; sem que tampouco escamoteando os antagonismos? Como dar visibilidade às diferenças, sem que isso termine na mera desagregação social, em cada um com seu quinhão, na sua identidade "bem definida"; sem que tampouco isso termine reduzido a um consenso? Como construir um coletivo, uma