122 NATALIA CZOPEK Natalia Czopek As formas do subjuntivo/conjuntivo na expressão de relatividade nas línguas espanhola e portuguesa A noção de relatividade é, de acordo com todas as deinições, estritamente relacionada com a atitude mental do falante. 1 Por conseguinte, a alternância modal nas orações relativas depende dos conheci- mentos do locutor, da sua avaliação da realidade, do grau de especiicidade do objecto e do compro- misso com a veracidade da oração. Com base neste facto, as orações relativas vão ser analisadas como meios de expressão da modalidade epistémica. As ditas orações pertencem à categoria das orações subordinadas adjectivas e, normalmente, aparecem introduzidas por um pronome ou um advérbio relativos. Quanto à sua função na frase, distinguem-se dois tipos de relativas: as explicativas e as especiicativas ou determinativas. 2 Para esta- belecermos uma comparação entre os dois tipos, citemos aqui dois exemplos dos quais o primeiro é explicativo e o outro especiicativo: 1. Los lectores, que desean comprender a Juana y cómo sus contemporáneos consiguieron gober- nar a la reina, no debieran buscar más. (FN) 2. Los lectores que desean comprender a Juana y cómo sus contemporáneos consiguieron gober- nar a la reina no debieran buscar más. (FN) Como se pode ver, no primeiro exemplo o falante constata que todos os leitores desean comprender a Juana y cómo sus contemporáneos consiguieron gobernar a la reina enquanto no exemplo (2) se diz que entre todos os leitores existe um grupo especíico e limitado que realiza a acção mencionada. No nosso corpus não encontrámos nenhum exemplo de orações relativas explicativas. 3 Assim, todos os 1 Cf., por exemplo, a deinição de relatividade citada no Dicionário da Língua Portuguesa (2003: 1431-1432): [...] qualidade ou estado daquilo cujo valor ou importância devem ser avaliados em contexto; carácter que se atribui ao conhecimento de ser relativo, por ser imperfeito ou limitado, ou então, [...] por depender da consituição orgânica ou mental do sujeito que conhece, ou ainda por consistir no estabelecimento de uma relação e, por isso, variar com o termo que é posto em relação com a coisa a conhecer. Acrescentemos ainda aqui a deinição das relativas proposta por M.J de Almeida Vieira dos Santos (2003): Na sua quase totalidade, os sintagmas por elas (as relativas) constituídos não se relacionam directamente com o núcleo predicativo, sendo antes expansão de um seu determinante – via de regra, um [SN]. 2 De acordo com a classiicação proposta por Sastre (2004: 116-117): as primeiras se reieren al antecedente en su totalidad. Van entre comas en la lengua escrita o entre pausas en la hablada. Su misión signiicativa es explicar, aclarar o ampliicar el contenido del antecedente o elemento al que hace referencia, añadir una información complementaria. Su función es incidental, descriptiva. No son necesarias para comprender el contenido de la oración. As especiicativas, por sua vez, son necesarias para limitar y comprender el contenido del antecedente, su función es delimitar, restringir y especiicar el signiicado del mismo. Gráicamente, entre el antecedente y la cláusula de relativo no hay comas, ni pausas en la expresión oral. Si estas cláusulas se suprimieran, la oración perdería coherencia interna. 3 Cf. M. Vilela citado por Almeida Vieira dos Santos M. J. de, (2003: 175): Se a unidade da frase como um todo pode subsistir sem relativas explicativas, então a relação de dependência que a gramática tradicional associa quer à subordinação quer ao «modo conjuntivo» não actua neste contexto. Assim se justiica, aparentemente, que as