XI Congresso Internacional da ABRALIC Tessituras, Interações, Convergências 13 a 17 de julho de 2008 USP São Paulo, Brasil O road movie nas rotas de fuga do árido cinema de Pernambuco Profa. Dra. Yvana Fechine 1 (UFPE) Mestranda Amanda Mansur 2 (UFPE) Resumo: A partir da década de 60, o gênero road movie, genuinamente norte-americano, foi incorporado por outras cinematografias nacionais, e principalmente nos chamados cinemas de “Terceiro Mun- do”. Atualmente, o road movie, além de ser uma tendência do cinema contemporâneo mundial, contribui na construção das narrativas delineando quase uma geografia interior de seus persona- gens. Essa comunicação se propõe a apontar algumas apropriações do gênero nos filmes do cine- ma contemporâneo de Pernambuco: Árido Movie (2005) de Lírio Ferreira, Cinema, Aspirinas e Urubus (2005) de Marcelo Gomes e Deserto Feliz (2007) de Paulo Caldas. E, através dessas apro- priações, observar o mapeamento geográfico e humano do nordeste que está sendo esboçado e compreender a representação contemporânea do sertão construída a partir dos deslocamentos. Um nordeste onde o passado se faz cada vez mais presente, um sertão moderno com arcaicas feições. Palavras-chave: road movie, longas pernambucanos, narrativa Introdução - Você sabe me explicar como é que eu chego lá? - É só a senhora seguir por onde o caminhão veio! A senhora segue em frente toda a vida, mais ou menos umas duas léguas e meia! A personagem Soledad, do filme Árido Movie (2005) de Lírio Ferreira, pergunta a um ho- mem “local”, no interior de Pernambuco, como faz para chegar à fazenda Riacho Seco. E percorre mais um dos trajetos das várias estradas e caminhos que estão sendo desbravados por essa produção cinematográfica contemporânea. Uma das características recorrentes no cinema brasileiro a partir da década de 60 é a quanti- dade de filmes que incorpora o road movie à sua narrativa. Neste artigo vamos observar a apropria- ção do gênero no espaço da narrativa e da representação em três filmes produzidos recentemente em Pernambuco. Em dois deles, Cinema, Aspirinas e Urubus (2005) de Marcelo Gomes e Árido Mo- vie (2005) de Lírio Ferreira, podemos verificar claramente a apropriação do gênero uma vez que a utilização dos automóveis para o desenvolvimento da narrativa dos filmes é fundamental; e, no De- serto Feliz (2007) de Paulo Caldas, a assimilação do road movie é encontrada mais subjetivamente, a partir do processo de montagem fragmentada e dos deslocamentos elípticos no trajeto da protago- nista. Neste último, outras recorrências temáticas naturalmente vão ser desencadeadas e evidenciar uma nova espacialidade cinematográfica, feita de dispersões, deslocamentos, nomadismos, com seus personagens em contínuo fluxo de deslocamentos e transformações internas e externas. Fugindo das suas origens, os personagens desses filmes, no encontro com a alteridade, bus- cam as suas identidades. Os deslocamentos dos personagens da metrópole para o interior, da capital para o sertão, do sertão para a capital e para o exterior e do exterior para o sertão, são importantes para entendermos como a representação do nordestino é mediada, textualizada, construída e imagi- nada por estes filmes.