Trabalho apresentado no evento ComSaúde 2004, Recife, no GT 6: Mídia, mediação, medicalização. Publicado em http://encipecom.metodista.br/mediawiki/images/3/35/GT6-texto4- _Midia_farmaceutica_-_Ariane_e_Dayse.pdf 1 Mídia farmacêutica: sociedade de consumo e fabricação da loucura 1 Ariane P. Ewald 2 Dayse Marie Oliveira 3 Resumo: Preocupando-se em compreender os mecanismos inerentes a uma sociedade de consumo e o processo de medicalização e banalização da existência apregoado na publicidade e veiculado em larga escala pelas indústrias farmacêuticas, este trabalho procura estudar os mecanismos utilizados pela indústria farmacêutica na divulgação dos seus produtos, mecanismos estes voltados, quase sempre, para um público leigo, tentando compreender a relação que se estabeleceu entre saúde e “remédio/mercadoria”, especialmente na busca de soluções instantâneas para problemas que podem ser unicamente de ordem psíquica. Palavras-chave: Mídia farmacêutica, Sociedade de Consumo, Modernidade, Loucura “Se há vários remédios receitados para uma mesma doença, podem estar certos de que a doença não tem cura”. Anton Tchekov A busca pelo sentido da própria vida, o vazio existencial e a constatação da solidão, acentuada pelo nosso viver da modernidade, parece estar sendo uma das principais queixas que encontramos nos consultórios, aliada às crescentes dificuldades de estabelecer relacionamentos duradouros e amorosamente verdadeiros. De forma cada vez mais acentuada, buscamos soluções para nossos problemas existenciais e nosso sofrimento psíquico pelo menos de duas maneiras: primeiro pela mais avançada tecnologia, aqui incluído o arsenal psicofarmacológico e outras formas elaboradas pela ciência e ainda consideradas na visão de alguns, como eficientes, mais se importando com a precisão da técnica do que com o desdobramento da mesma sobre o ser humano; e em seguida pelo misticismo de todo gênero no qual podemos situar oráculos, bruxaria, duendes, cristais, etc. Pressionado a assumir responsabilidades crescentes num mundo em permanente e rápida mudança, o “indivíduo incerto” 4 e fragmentado de nossa modernidade, 1 Este texto é resultado da apresentação de trabalho no VII COMSAUDE – VII Conferência Brasileira de Comunicação e Saúde, de 11 a 13 de agosto de 2004, em Olinda, PE. 2 Professora do Instituto de Psicologia e do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social da UERJ. 3 Mestranda Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social da UERJ.