VI ENCONTRO PARANAENSE DE PESQUISA EM JORNALISMO DA UEPG DE 7 A 9 DE OUTUBRO DE 2008 O seqüestrador e a representação No DOCUMENTÁRIO ÔNIBUS 174 Sandra Nodari Universidade Tuiuti do Paraná RESUMO: Este trabalho pretende analisar a representação do comportamento de Sandro Nascimento, protagonista do documentário Ônibus 174, durante o seqüestro de um ônibus no Rio de Janeiro a partir da presença de câmeras de televisão transmitindo o episódio. Qual foi a influência da televisão ao vivo no desenrolar dos fatos? Como o seqüestrador entendeu-se representado pelas câmeras e viu-se refletido nos vidros do ônibus? Como o documentário retratou a relação entre representação e realidade a partir do olhar do diretor? Este artigo discute a dramatização de uma história real movida pela certeza da presença de jornalistas e pela atenção do público. Palavras-chave: Documentário; drama; representação e simulacro. CORPO DO TEXTO: A idéia do roteiro de Ônibus 174 (2002) 1 , segundo o diretor José Padilha, surgiu enquanto assistia à transmissão ao vivo do seqüestro de um ônibus que fazia a linha Gávea-Central - 174 no Rio de Janeiro, em junho de 2000. O seqüestro do coletivo, cometido por um ex-menino de rua, durou várias horas e chocou a cidade e o país. Após ampla negociação, o ônibus foi cercado pela polícia e pela imprensa, e uma das reféns foi assassinada. O autor do seqüestro, Sandro do Nascimento, era ex- menino de rua. O canal de TV a cabo Globo News, afiliado à Rede Globo, transmitiu o seqüestro ao vivo, já o Jornal Nacional exibiu reportagens gravadas na noite do episódio e nas seguintes. Posteriormente, as imagens captadas pelas emissoras de TV serviram de base para a produção do documentário Ônibus 174 (José Padilha, 2002), longa-metragem, de 128 minutos. Sem poder tirar os olhos da televisão pela singularidade do episódio, o cineasta carioca decidiu produzir um filme que contasse quem era aquele rapaz que obteve para si as atenções da impressa de todo o país. “Seqüestros costumam acontecer em locais onde não é possível filmar. Um ônibus, ao contrário, tem janelas e as câmeras de televisão estavam ali mostrando o seqüestrador com um revólver na cabeça das vítimas”, (PADILHA, 2003: 69). O ponto de partida da pesquisa de Padilha foi a informação de que o seqüestrador, Sandro do Nascimento, era um dos meninos que sobreviveram à