Trabalho aceito para publicação na Série Estudos Sociais e Políticos n. 41 (número especial sobre Pós-Graduação em Direito no Brasil), mantida pela Revista Brasileira de Estudos Políticos da UFMG. 1 Para que serve a dupla avaliação cega por pares? Poder estatal e autorregulação na avaliação dos programas de pós-graduação. José Rodrigo Rodriguez 1 Resumo Este texto analisa o papel das revistas no processo de avaliação do sistema brasileiro de pós-graduação de acordo com as ƌegƌas do Qualis e do “ĐiELO. “usteŶta Ƌue as ƌeǀistas são titulaƌes do diƌeito-fuŶção de selecionar artigos por meio da dupla avaliação cega por pares, direito este que deve ser exercido em prol da comunidade acadêmica. Por esta razão, o texto mostra que as revistas são um mecanismo de autorregulação da avaliação da pós-graduação brasileira. Em sua parte final, o artigo discute a relação entre este modelo de avaliação e a tradição jurídica brasileira, em especial, nossa maneira de praticar e refletir sobre a dogmática jurídica no Brasil. Palavras-chave: Revista, Avaliação, Pares, Pós-graduação, Autorregulação. Abstract This paper analyses the role of legal journals in the evaluation of the Brazilian postgraduate courses, according to the rules established by Qualis and SciElo. It shows that, to be considered high quality, legal journals should exercise the right to select articles through double blind peer review on behalf of the academic community. For this reason, journals should be considered a public mechanism of self-regulation and evaluation of post- graduate courses. In its final part, the article discusses the relations of this model of self-regulation and the Brazilian legal tradition, especially the way Brazil practices and reflects on legal dogmatics. Key-words: Journal, Peer review, Post-graduate, Self-regulation. 1 Coordenador do Núcleo Direito e Democracia do CEBRAP/SP. Editor da Revista Direito GV. Professor, Coordenador de Publicações da Direito GV. Autor de Fuga do Direito: Um Estudo Sobre o Direito Contemporâneo a Partir de Franz Neumann (2009), coautor de Dogmática é Conflito (2012), organizador de A Justificação do Formalismo (2010) e co-organizador de Manual de Sociologia Jurídica (2013). O autor agradece a leitura, as críticas e as sugestões de Bianca Tavolari, Felipe Gonçalves Silva, Vera Karam de Chueiri, Giovanni Damele, Dimitri Dimoulis, Maíra Rocha Machado, Fabíola Fanti, Mariana Valente, Flávio Marques Prol, Samuel Rodrigues Barbosa, Joaquim Toledo Jr., Nicole Fobe, Natalia Luchini e Ricardo Terra. Um agradecimento especial a Joaquim Toledo Jr. pelas sugestões bibliográficas e a Ricardo Terra por ajudar a delimitar meu assunto com mais clareza.