ESTRUTURALISMO LINGÜÍSTICO Prof.Ms.Giselda dos Santos Costa CEFET-PI/ UNED -Floriano – 2000 1 INTRODUÇÃO Este trabalho tem como finalidade apresentar uma análise da lingüística estrutural cuja importância foi inegável para o desenvolvimento da lingüística moderna. Na primeira parte faremos uma rápida retrospectiva histórica antes da lingüística ser considerada uma ciência da linguagem e abordaremos os principais trabalhos antes do século XX, século inicial do movimento chamado estruturalismo. A seguir, apresentaremos as características e as teorias deste movimento na Europa e nos Estados Unidos, dando especial ênfase às idéias do suíço Ferdinand Saussure, cuja contribuição foi de fundamental importância para a lingüística dos nossos tempos. Finalizando, analisaremos alguns pontos positivos e negativos deste movimento de tanta importância para a evolução da área de pesquisa da ciência da linguagem. 2. HISTÓRICO Os estudos realizados por Leroy (1971) mostram que a especulação lingüística sobre linguagem já vem há milhares de anos. Os antigos hindus por motivos religiosos foram levados a estudar sua língua. Depois, os gramáticos hindus – dos quais o mais célebre é Pãnini (cerca do século IV a.C.) dedicaram-se ao estudo do valor e do emprego das palavras e constituíram o ponto de partida à criação da gramática comparada. Porém, eram estudos puramente estáticos relativos apenas ao sânscrito. (antiga língua da Índia). Segundo o mesmo autor os gregos não deixaram de sua língua nenhuma descrição comparável à dos hindus. Eles especularam as origens da língua, as relações entre os objetos e seus nomes e aperfeiçoaram as teorias gramaticais. Para Leroy (1971) os latinos mostraram-se bons discípulos dos gregos, mas seus gramáticos, assim como os seus filósofos não tiveram consciência do interesse que poderia apresentar, para o estado de sua própria língua. Entretanto, destaca-se o nome de Varrão, que fez grande esforço para definir a Gramática ao mesmo tempo como ciência e como arte, e que vislumbrou com mais lucidez que os gregos, o valor da oposição de aspectos no sistema do verbo. Leroy (1971) escreve: a partir do século XV, a tradição gramatical greco-romana, que até então imperara, perdeu importância à medida que avançava o estudo das línguas vernáculas e exóticas. Nesta época surge a gramática geral de Port-Royal, redigida por estudiosos franceses no século XVII. Esta gramática preparou a abordagem histórica da língua que caracterizou os estudos lingüísticos do século XVIII e abriu caminho ao comparativismo do século seguinte. Segundo o mesmo autor (1971:27), a gramática de Port-Royal “quer explicar os fatos, demonstrar que a linguagem, imagem do pensamento, se funda na Razão, em suma, construir, de acordo com a lógica, uma espécie de esquema de linguagem ao qual, de bom ou de mau agrado, as múltiplas aparências da língua real devem submeter- se”. Já no século XIX, lingüistas europeus, concentraram na filologia, ou seja, a análise histórica e comparação de línguas. Eles estudaram textos escritos e procuraram mudanças com o passar do tempo relacionando uma língua com a outra. 1