“A gente já nasce lutando”: a desocupação do Pinheirinho, a política entre o formal e o informal 1 Inácio Dias de Andrade Universidade Estadual de Campinas RESUMO: O artigo pretende analisar a reintegração de posse do terreno conhecido como Pinheirinho, em São José dos Campos, São Paulo. Local de moradia de cerca de seis mil sem-teto, a desocupação não só se constituiu em uma ação violenta do governo do estado, como também mobilizou inú- meras concepções de mundo políticas, que se chocaram com ares de dra- maticidade. Recuperando etnografias passadas e comparando-as com estu- dos urbanos recentes e com o contexto neoliberal atual, a análise pretende oferecer uma visão antropológica do conflito e reconstituir o pano de fundo simbólico que legitimou a ação governamental e possibilitou o confronto aberto entre forças estatais e ocupantes. PALAVRAS-CHAVE: Movimentos de moradia, Antropologia urbana, Antropologia política, teoria antropológica. No dia 22 de janeiro de 2012, por volta das seis horas da manhã, mais de 1.500 policiais se dirigiram para a Avenida Leonor de Souto Ribeiro, antiga Estrada do Imperador, primeira ligação entre as cidades de São José dos Campos e Jacareí. O que já havia sido zona rural de São José, na década de 1960, é agora parte integrante da zona sul da cidade, que hoje abriga quase duzentas mil pessoas 2 .