1 Submetido em 05 de setembro de 2005. Aceito em 09 de maio de 2006. 2 Museu Nacional/UFRJ, Departamento de Vertebrados. Quinta da Boa Vista, São Cristóvão, 20940-040, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. 3 Pesquisador Associado. E-mail: luiznorbertow@gmail.com. 4 Bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Arquivos do Museu Nacional, Rio de Janeiro, v.64, n.2, p.141-149, abr./jun.2006 ISSN 0365-4508 DESCRIÇÃO DA MORFOLOGIA ORAL INTERNA DE LARVAS DO GÊNERO CROSSODACTYLUS DUMÉRIL & BIBRON, 1841 (AMPHIBIA, ANURA, LEPTODACTYLIDAE) 1 (Com 8 figuras) LUIZ NORBERTO WEBER 2, 3 ULISSES CARAMASCHI 2, 4 RESUMO: A morfologia oral interna de larvas de Crossodactylus dispar, C. gaudichaudii e C. trachystomus é descrita e comparada. Caracteres úteis na diagnose das espécies são encontrados e descritos. Palavras-chave: Crossodactylus dispar. Crossodactylus gaudichaudii. Crossodactylus trachystomus. Girino. Morfologia oral interna. ABSTRACT: Description of the oral internal morphology of tadpoles of the genus Crossodactylus Duméril & Bibron, 1841 (Amphibia, Anura, Leptodactylidae). The oral internal morphology of tadpoles of Crossodactylus dispar, C. gaudichaudii, and C. trachystomus are described and compared. Usefull diagnostic characters are described for these species. Key words: Crossodactylus dispar. Crossodactylus gaudichaudii. Crossodactylus trachystomus. Tadpole. Oral internal morphology. INTRODUÇÃO A subfamília Hylodinae é constituída por espécies diurnas, encontradas freqüentemente em córregos e ribeirões nas encostas florestais da Mata Atlântica (IZECKSOHN & GOUVÊA, 1985). Sua distribuição ocorre do Estado de Alagoas até o Estado do Rio Grande do Sul e norte da Argentina (FROST, 1985; CARCERELLI & CARAMASCHI , 1992; NASCIMENTO et al. , 2001). Compreende três diferentes gêneros: Crossodactylus Duméril & Bibron, 1841, Hylodes Fitzinger, 1826 e Megaelosia Miranda-Ribeiro, 1923. Segundo LYNCH (1971), as larvas de Crossodactylus possuem tubo anal mediano e os de Hylodes e Megaelosia possuem tubo anal destro. Além disso, todas possuem fórmula dentária 2/3 e fileira de papilas labiais anteriormente interrompida. Recentemente, FROST (2004) adotou a classificação de LAURENT (1986), onde foi criada a subfamília Cycloramphinae e desconsiderada Hylodinae, cujos três gêneros estariam incluídos em Cycloramphinae. No presente trabalho, entretanto, foi seguida a classificação de LYNCH (1971). Embora algumas espécies da subfamília Hylodinae tenham suas larvas já descritas, a morfologia oral interna é pouco conhecida, podendo-se citar o trabalho de WASSERSUG & HEYER (1988), que descreve e compara a morfologia oral interna de espécies de anuros leptodactilídeos. No presente trabalho é apresentada a descrição da morfologia oral interna de três larvas do gênero Crossodactylus, comparando-as entre si. MATERIAL E MÉTODOS Os exemplares utilizados estão depositados nas seguintes coleções: MNRJ (Museu Nacional, Rio de Janeiro, RJ); MZUSP (Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo, SP); JJ (Coleção Jorge Jim, Departamento de Zoologia, Instituto de Biociências, Universidade Estadual Paulista, Campus de Botucatu, SP). A determinação do estágio larvar foi realizada segundo GOSNER (1960). Para as medidas das larvas utilizou-se microscópio composto com ocular milimetrada. Foram registradas, em milímetros, as seguintes medidas (Tab.1): comprimento do assoalho bucal, largura do assoalho bucal, comprimento da maior papila infralabial, largura