JOGANDO COM A OBRA DE ARTE: NO MUSEU E EM “A MANSÃO DE QUELÍCERA” Ana Beatriz Bahia Programa de Pós-Graduação em Educação/ UFSC A disposição de obras de arte nas salas de museus é apenas um dos modos de apresentação da tradição artística ao público. Outros modos estão sendo experimentados, entre os quais destaco os jogos de computador que citam imagens artísticas. O texto que segue pontua alguns dos mecanismos de envolvimento do público com a tradição artística nesses jogos, afinidades que possuem com o conceito contemporâneo de leitura de obra e potencialidades para o ensino de História da Arte. Palavras-chave: educação do olhar, jogo, museu, tradição, história da arte. Os jogos informáticos que envolvem obras de arte entram no vácuo de um movimento mais amplo da cultura contemporânea, em um “ecossistema comunicativo” (MARTIN-BARBERO, 2001) caracterizado pelas articulações dos saberes instituídos com as culturas visual e oral. Algo impulsionado pelo advento das tecnologias de comunicação digital que potencializa novos modos de ler, ver e aprender. Por um modo contemporâneo de ler a tradição artística Gadamer destacou a importância da postura ativa, construtiva, do espectador diante da obra de arte, ao mesmo tempo em que defendeu a necessidade do engajamento com a tradição. Não por mera conservação do passado, mas buscando a transmissão da tradição: A transmissão [da tradição] inclui que não se deixe nada imutável e meramente conservado, mas que se aprenda a dizer e captar o velho de modo novo. [...] é uma reciprocidade constante entre nosso presente e seus objetivos e os passados que também somos (1996, pg. 74).