164 LITERATURA EM UM VIÉS INTERTEXTUAL: CONCEITOS E CONTEMPORANEIDADE Renato de Oliveira Dering (UFG/CAJ) 56 Falar em uma literatura contemporânea hoje é, sem dúvida, discutir acerca do papel do leitor literário e suas funções diante a literatura. Logo, é preciso ter consciência que um dos fatores que faz com que uma obra literária seja reconhecida é a sua força em obter ou “persuadir” um bom público leitor por um determinado tempo. Isto é, a obra não toma forma por si, é preciso que ela dialogue com seu interlocutor. Assim, é indiscutível afirmar que a permanência de obras consideradas clássicas no cerne da sociedade possa refletir e propor inúmeras discussões, advindas, principalmente, dos costumes e das percepções de uma sociedade já constituída de valores e ideologias adquiridos ao longo dos anos. Essas discussões, no entanto, só são possíveis quando há a interação entre obra e leitor, este sendo o sujeito ambientado historicamente e atuante em seu papel social. O que percebemos, no entanto, é a possibilidade de aprendizado com esses clássicos, sejam eles nacionais ou não. Sendo propostas, ao longo da história literária, outras obras, que em diálogo com as demais, permitem perceber essa sociedade que se configura constantemente, isto é, que se transforma e pede novas anotações. A literatura e as demais humanidades parecem ter ficado com esse papel de tomar nota das mudanças históricas e sociais, ainda, de propor algo àquele público, que se configura no decorrer do tempo e na interação com culturas e sociedades distintas. Grosso modo, poderíamos dizer que “uma obra copia outra” com livre poder de alteração e colocação, com possibilidades de novas realizações e potência para exprimir ideias novas ou contextualizá-las por novas perspectivas. Mas essa afirmação, de simples cópia, reduziria a amplitude de uma obra, sendo assim, dizer que uma obra nasce de outra não implica afirmar que esta possua baixo valor estético, mas sim que elas adquiriram relação entre si. Um bom exemplo disso é o livro As Horas, de Michel Cunningham, que faz referência ao livro Mrs. Dalloway, de Virgínia Woolf. Outro bom exemplo seria o conto “A Cartomante”, de Machado de Assis, que já começa com uma 56 Mestre em Letras (Estudos Literários) pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Professor do curso de Letras da Universidade Federal de Goiás – Câmpus Jataí.