Dificuldade de início de movimentos na produção de enunciados falados de sujeitos parkinsonianos Lourenço Chacon Faculdade de Ciências e Letras e Programa de Pós-Graduação em Estudos Lingüísticos – Universidade Estadual Paulista (Unesp); Bolsista CNPq – Processo 350328/2004 - 8 chacon@marilia.unesp.br Abstract. In this article, our purpose was providing arguments for a non- consensual matter of Parkinson’s disease literature: difficulty of initializing movements, characteristic of this disease, also evolves spoken utterance production. Hesitation at the beginning of such utterances in conversational activity of parkinsonians was the element prioritized to reach our purpose. Besides reinforcing our hypothesis, results showed that this difficulty is not only restrict to motor activity in speech but also evolves integration between phonetic-phonologic and semantic sub-systems of language. Keywords. Parkinson disease; hesitation. Resumo. Nosso propósito neste artigo foi fornecer mais argumentos para a hipótese de que a dificuldade de iniciar movimentos, característica da doença de Parkinson, envolve também a produção de enunciados falados de sujeitos parkinsonianos. O funcionamento das hesitações em início de enunciados foi o elemento escolhido para atingir esse propósito. Nossos resultados, além de reforçarem a hipótese deste trabalho, mostraram que essa dificuldade não se restringe às dificuldades motoras dos sujeitos, mas envolvem a integração entre os subsistemas fonético-fonológico e semântico da linguagem. Palavras-chave. doença de Parkinson; hesitação. 1. Introdução De acordo com a literatura biomédica, a doença de Parkinson decorre de alterações neurológicas progressivas ao nível do sistema extrapiramidal e núcleos da base (MACHADO, 1993). Como conseqüência dessas alterações neurológicas, ainda de acordo com essa literatura, verificam-se nos sujeitos parkinsonianos alterações motoras que prejudicam a iniciação e o controle de movimentos (PITCAIRN, CLEMIE, GRAY & PENTLAND, 1990), tais como: tremores constantes; alterações no equilíbrio; dificuldades na marcha e na dinâmica da deglutição; rigidez; transtornos na postura; dentre outras. Essas alterações neurológicas também seriam a razão daquilo que a literatura biomédica entende como problemas de linguagem em sujeitos parkinsonianos. Ressalte- se, porém, que a preocupação de estudos desenvolvidos sob esse enfoque, tal como se dá a perceber em trabalhos como os de Uziel et al (1975), Logemann et al (1978) e Scott & Caird (1983), dentre outros, está centrada sobretudo nas alterações orgânicas que levariam aos problemas de fala (entendida como a própria linguagem e restrita a seu aspecto motor). Assim, aspectos pragmáticos, discursivos e enunciativos presentes na Estudos Lingüísticos XXXV, p. 1171-1178, 2006. [ 1171 / 1178 ]