A política africana do governo Lula Paulo G. Fagundes Visentini * Analúcia Danilevicz Pereira ** O Brasil, a China e, gradativamente, a Índia são os novos protagonistas da política internacional e da economia africana. Após um longo período de distanciamento, as relações do Estado e da sociedade brasileiras com o continente africano superaram a retórica e ganharam um novo impulso a partir do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Os laços históricos, a condição de país com grande população de afrodescendentes e o debate interno em torno da igualdade racial, estão presentes na visão brasileira sobre a necessidade de aproximação e cooperação. Mas, na aproximação com o continente africano, os aspectos estratégicos e econômicos são, seguramente, mais importantes. Embora a África seja um continente que apresenta índices alarmantes de pobreza, não é um continente estagnado, e representa um elemento fundamental para a inserção global do Brasil. O discurso e a prática diplomática do atual governo convergem para a construção de alianças preferenciais com parceiros no âmbito das relações Sul-Sul. Nessa perspectiva, o continente africano representa uma das áreas de maior investimento em termos diplomáticos do governo, só superada pela América do Sul. O Presidente Lula e o Ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, durante o primeiro mandato, realizaram várias visitas e estabeleceram inúmeros acordos com os diferentes países africanos. Em um pouco mais de 4 anos de governo, foram 5 viagens ao continente que resultaram na visita a 17 países. A aproximação com o continente africano não visa a obtenção de resultados em curto prazo, ainda que, em termos econômicos a África represente um mercado importante. Nesse sentido, a política africana do Brasil apresenta-se dinâmica no plano diplomático, assumindo relevância especial quando são consideradas as ações brasileiras no continente africano. Entretanto, a dinâmica política, econômica e sócio-cultural de ambas regiões, em distintos momentos históricos, travaram ou impulsionaram essa relação. Em diferentes períodos, as ações brasileiras resultaram de uma leitura equivocada das prioridades da política externa brasileira. Essas ações que não levaram em conta os interesses políticos e estratégicos de longo prazo, apenas os interesses econômicos e financeiros imediatos, postergaram a implementação e renovação de projetos bilaterais, bem como o estabelecimento de acordos de cooperação no plano multilateral. Assim, cabe acompanhar a trajetória das relações entre o Brasil e a África. * Professor Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Doutor em História Econômica pela USP e Pós-Doutorado em Relações Internacionais pela London School of Economics. Professor visitante no NUPRI/USP e Universidade de Leiden/Holanda. Pesquisador do Núcleo de Estratégia e Relações Internacionais/NERINT/UFRGS e Coordenador do Centro de Estudos Brasil-África do Sul/CESUL. (paulovi@ufrgs.br ) ** Professora de História da Faculdade Porto-Alegrense/FAPA, Doutora em História pela UFRGS. Pesquisadora do Núcleo de Estratégia e Relações Internacionais/NERINT/UFRGS e do Centro de Estudos Brasil-África do Sul/CESUL. (analuciapereira@fapa.com.br )