Manoel Bomfim, educador e “cientista da educação” * Rebeca Gontijo ∗ Este ensaio visa apresentar, de forma abrangente e crítica, a obra do intelectual Manoel Bomfim sobre educação. Ensaísta polêmico, pouco divulgado, foi relegado a uma posição de menor destaque nos anos que seguiram sua morte, em 1932. Parte significativa de seus livros sobre o Brasil foram reeditados recentemente (anos 1990); contudo, seus estudos sobre educação não o foram e são de difícil acesso. De modo geral, a leitura de tais textos contribui para a compreensão dos problemas educacionais e de algumas das questões pedagógicas mais prementes no Brasil do fim do século XIX e das primeiras décadas do século XX. Daí a importância de sua reedição e releitura hoje. A abordagem procura tecer relações entre as reflexões de Manoel Bomfim e sua atuação como intelectual em um dado contexto, considerando tanto a linguagem utilizada pelo autor em seus textos, como os diálogos efetuados com seus contemporâneos. O presente texto está organizado em duas partes. A primeira recupera a trajetória do autor, com destaque para sua atuação como educador. A segunda é constituída por uma análise de sua obra, com destaque para sua contribuição para a educação brasileira. I. Trajetória de um educador, pensador do social Manoel José do Bomfim (1868-1932) nasceu a 8 de agosto em Aracaju, Sergipe. Foi o sexto dos treze filhos de Paulino José 1 – um vaqueiro que se tornou * Em 1998, participei das pesquisas que resultaram na elaboração de dois verbetes para o Dicionário de Educadores Brasileiros: da colônia aos dias atuais (1999), escritos em co-autoria com a Prof a . Dr a . Maria Ciavatta Franco, da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense. No início de 2007, Maria indicou meu nome aos coordenadores do projeto Educadores Brasileiros, para que elaborasse o ensaio sobre Manoel Bomfim e indicasse o texto base a ser incluído na coleção Educadores. Agradeço a todos os responsáveis pela oportunidade concedida a uma recém-doutora, especialmente a Maria e à Prof a . Dr a . Maria de Lourdes Fávero, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Oportunidade que, entre outras coisas, permitiu que eu trilhasse um novo caminho de pesquisa, no fascinante campo da história da educação. Também não posso deixar de agradecer muitíssimo a Rosane Maria Nunes Andrade, do setor de pesquisa da Biblioteca Nacional, pela ajuda prestimosa na localização e cópia dos textos de Manoel Bomfim dispersos em periódicos. Do mesmo modo, agradeço à Prof a . Dr a . Alessandra Frota Martinez de Schueler, da Faculdade de Educação da UERJ − amiga desde a graduação − pelas valiosas sugestões de leitura; ao Prof. Dr. Osmar Fávero, da Faculdade de Educação da UFF, que gentilmente me emprestou a cópia de um raríssimo livro de Bomfim, Cultura e educação do povo brasileiro (1932); a Luciana da Silva Santos, então aluna da UERJ-FFP, que me auxiliou na cópia de alguns textos; a Cristina Grangier, que ajudou muito na digitação; e a Ana Elizabete Negreiros Barroso, do MEC, que me manteve sempre informada. Agradecimento especial devo ao Sr. Luiz Paulino Bomfim, ex-combatente do Exército Brasileiro, neto de Manoel Bomfim, que gentilmente me recebeu em sua casa no Rio de Janeiro, confiou-me fotografias de família e presenteou- me com um valioso objeto biográfico: a caneta tinteiro de seu avô. Muito obrigada. Por fim, agradeço a Marcelo Magalhães pela leitura atenta. ∗ Doutora em História Social pela Universidade Federal Fluminense. Bolsista do Programa de Apoio a Projetos Institucionais com a Participação de Recém-Doutores (PRODOC) da CAPES, no Departamento de História da UFF desde 2008. Membro do grupo de pesquisas Oficinas de História, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ); e do Núcleo de Pesquisas em História Cultural (NUPEHC), da UFF.