1 Um jornal sob o signo da modernidade tecnológica: identidade e ethos no discurso do jornal cearense Diário do Nordeste Naiana Rodrigues da Silva 1 RESUMO: O presente artigo tem como objetivo analisar a construção do ethos discursivo de modernidade tecnológica do jornal cearense Diário do Nordeste. Através da análise de um conjunto de matérias em que o jornal apresenta sua trajetória histórica e anuncia mudanças no seu modo de produção foi possível observar como o DN atualizou seu ethos discursivo ao longo do tempo e sustentou um posicionamento identitário atrelado ao ideário da modernidade. A articulação entre o ethos discursivo e a identidade do jornal pode ser tida como um elemento fundamental na expressão de seu poder simbólico e na sua legitimação enquanto instituição social autorizada a construir discursos em torno da realidade social. PALAVRAS-CHAVE: identidade, ethos discursivo, mídias informativas e poder simbólico. 1 – Discurso, poder e construção social da realidade O homem se vale da linguagem para nomear, classificar e dar sentido à realidade que o cerca. Pierre Bourdieu (1998) é enfático ao afirmar que não temos acesso a uma realidade pura ou objetiva, como postulava o positivismo de Augusto Comte, mas a fenômenos de segunda ordem, a realidades já nomeadas, classificadas e devidamente construídas pelo próprio homem, estejam elas sistematizadas cientificamente ou na forma de uma sociologia espontânea, nos termos do próprio Bourdieu. O fato é que, através da articulação de diferentes formas de linguagem, situadas em contextos sócio- históricos específicos, construímos a realidade social. No entanto, mesmo que sejamos capazes de estabelecer atos de nomeação e, assim, construir discursos que possam vir a ter repercussão social e, consequentemente, modificar, ordenar ou destituir o estatuto da realidade em que nos encontramos, não são muitos os que estão socialmente autorizados a realizar atos de nomeação. “Não há agente social que não aspire, na medida dos seus meios, a esse poder de nomear e de criar o mundo nomeando-o” (BOURDIEU, 1998, p. 89). Quando um sujeito adquire autoridade discursiva para nomear coisas ou fenômenos, ele passa a deter também uma autoridade social e, conforme Bourdieu, exercer seu poder simbólico. 1 Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Ceará com bolsa Capes-Demanda Social.