CULTURA HISTÓRICA & PATRIMÔNIO volume 1, número 1, 2012 108 DE JARDIM EM JARDIM: ITINERÁRIO HISTÓRICO PELAS PAISAGENS CULTURAIS BRASILEIRAS 1 Cristiane Maria Magalhães 2 Resumo: os jardins, fenômenos históricos singulares, são paisagens que se inscrevem indelevelmente na memória das pessoas que percorrem seus caminhos perfumados. A história de um lugar pode ser contada por meio de seus jardins e parques. A proposta do texto é criar um itinerário cultural composto por alguns jardins brasileiros construídos em tempos históricos distintos e com variadas concepções, a saber: o Passeio Público (1779- 1783) e o Jardim Botânico (1808), no Rio de Janeiro; o Jardim Romântico do Museu Mariano Procópio (1861), em Juiz de Fora (MG); os jardins que envolvem os balneários hidroterápicos de Caxambu (1912) e Poços de Caldas (1927), no Sul de Minas Gerais; e os jardins modernos de Burle Marx, o Jardim das Cactáceas (1934), em Recife (PE), e os Jardins do Edifício Gustavo Capanema (1937-1943), no Rio de Janeiro. Palavras-chave: jardins históricos; patrimônio histórico; paisagem cultural. Abstract: the gardens, singular historical phenomenons, are landscapes that it inscribe in memory of the persons that traverses their perfumed ways. The history of one place can be narrated by their gardens and parks. The proposal of the text is create one cultural itinerary composite for some brazilian gardens set in distinct historical times and with varied conceptions, namely: the Promenade (1779-1783) and the Botanic Garden (1808), in Rio de Janeiro; Romantic Garden of the Mariano Procópio Museum (1861), in Juiz de Fora (MG); the gardens that involve the hydrotherapy bathhouses of Caxambu (1912) and Poços de Caldas (1927), in the South of Minas Gerais; and the modern gardens of Burle Marx, the Cactus Garden (1934), in Recife (PE), and Garden of Gustavo Capanema Building (1937- 1943), in Rio de Janeiro. Key words: historical gardens; historical patrimony; cultural landscape. Mas não apresses a viagem nunca. Melhor muitos anos levares de jornada e fundeares na ilha velho enfim, rico de quanto ganhaste no caminho, sem esperar riquezas que Ítaca te desse. Uma bela viagem deu-te Ítaca. Sem ela não te ponhas a caminho. Mais do que isso não lhe cumpre dar-te. (Konstantinos Kaváfis, Ítaca) Na leitura do texto clássico de Homero, o poeta grego Konstantinos Kaváfis (1863-1933), em poema intitulado Ítaca, faz votos de que a viagem a Ítaca 1 Uma versão deste texto foi apresentada na Jornada ICOMOS Argentina Rutas e itinerarios culturales. De la escala regional a los proyectos transacionales, realizada em abril de 2012, em Mendoza, Argentina. 2 Historiadora. Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em História da UNICAMP. Mestre em História Social da Cultura pela UFMG (2006). Bolsista FAPESP.