169 “A METÁFORA DA ÁGUIA COM A SERPENTE EM A SSIM FALOU Z ARATUSTRA: UM DESAFIO AO PENSAR E AO VIVER”. LUIZ CELSO PINHO RESUMO Este artigo pretende mostrar que a imagem dos animais de Zaratustra nos remetem a dois problemas centrais na filosofia de Nietzsche. Em primeiro lugar, a superação do pensamento dicotômico, instaurado pela Metafísica. Em segundo lugar, o abandono de uma concepção linear de tempo, através da teoria do Retorno. Ambos os problemas representam grandes desafios à existência humana. PALAVRAS-CHAVE: superação das dicotomias, eterno retorno, vida humana. ABSTRACT In this paper I argue that the image of animals presented in Zarathustra is connected to two fundamental problems of Nietzsche’s philosophy. First, the overcoming of the dichotomous thought created by metaphysics. Second, the refusal of a linear conception of time as a consequence of the theory of Return. Both problems represent a great challenge for human existence. KEY-WORDS: dichotomous thought, eternal recurrence, human life. I Logo no início do Prólogo, ao prestar homenagem ao aspecto luminoso do sol, Zaratustra nos fornece uma clara indicação de que não passou totalmente isolado sua reclusão voluntária no alto de uma montanha: “são dez anos que sobes à minha caverna; e já se te haveriam tornado enfadonhos a tua luz e este caminho, sem mim, a minha águia e a minha serpente”. 1 Zaratustra elege uma ave e um ofídio como seus animais. Chegará inclusive a considerá-los “animais 1 AFZ, “Prólogo”, # 1, p. 27.