ϭϬϱ FRANCISCO JORGE DA COSTA E OS CICLOS ICONOGRÁFICOS PARA O CONVENTO DO SANTÍSSIMO CORAÇÃO DE JESUS Sandra Costa Saldanha* *Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja O antigo convento carmelita da Estrela encerra um vasto conjunto azulejar, disperso por duas dezenas das suas várias de- pendências. Produzido durante mais de uma década, entre 1781 e 1792, permite acompanhar as diversas tendências da azulejaria portuguesa de finais do século XVIII, desde as suas características mais tardias, ainda de feição rocaille, até à introdução das novidades clássicas. Principal opção decorativa dos espaços conventuais, entre silhares ornamentais e painéis figurativos, foram poucos os autores que sobre este conjunto se debruçaram. Genericamente associado à profícua actividade da Real Fábrica de Loiça do Rato, que se impôs como a principal fornecedora de todo o país no último quartel do século XVIII, sabemos porém que teve como principal interveniente o azulejador Francisco Jorge da Costa, mestre com obra documentada na Estrela ao longo de onze anos. * A participação dos vários artistas que colaboraram no programa ornamental do complexo do Santíssimo Coração de Jesus, encon- tra-se hoje particularmente documentada, no contexto dos pro- cessos regulamentados que envolviam as encomendas da Casa Real. Seleccionados, na sua larga maioria, entre os funcionários afectos à Inspecção-Geral das Obras Públicas (intervindo em edi- fícios promovidos por esse organismo dependente da Coroa), é possível distinguir, por seu turno, a colaboração de outros mestres, contratados pontualmente, para realizarem obras do seu ofício. A história do monumento, porém, objecto de diversas inter- pretações e estudos ao longo dos anos, pode hoje ser complementada, à luz de um conhecimento mais rigoroso dos diversos agentes,