Publicado em: LÉPINE, C.; HOFBAUER, A. & SCHWARCZ, L. M. (orgs.). Manuela Carneiro da Cunha: o lugar da cultura e o papel da antropologia. Rio de Janeiro, Ed. Beco do Azougue, p. 279-309. De ratos e outros homens: resist7ncia biopol8tica no Brasil moderno Nádia Farage On peut se dsaccoutumer de la piti mme pour les hommes, et on peut shabituer  la piti mme pour les insectes () L.Tolstoi Este artigo é meu tributo ; contribui<=o fundamental de Manuela Carneiro da Cunha, em teoria e em m?todo, para a consolida<=o da antropologia hist@rica no Brasil. O olhar antropol@gico que Manuela Carneiro da Cunha trouxe ; escravid=o, africana e ind8gena, no Brasil renovou a interpreta<=o de objetos e temas, at? ent=o, negligenciados na historiografia e na etnografia empreendidas no pa8s. Sua reflex=o radicou-se, com efeito, entre a hist@ria e a antropologia, em diálogo estreito com a teoria que, de ambos os campos disciplinares, vinha confrontar os grandes modelos explicativos da expans=o capitalista. Tal trajet@ria se confunde com a consolida<=o do campo de estudos em hist@ria ind8gena e do indigenismo no Brasil, que a ela deve sua defini<=o e produ<=o significativa, obra sua ou por ela inspirada. A autora bem sumarizou as preocupa<Ees te@ricas e metodol@gicas do campo, em introdu<=o ao volume da Revista de Antropologia dedicado ao tema, republicada em coletFnea recente de ensaios (M.Carneiro da Cunha, 2009); desejo, apenas, reiterar que um resultado marcante foi o de conceder face pr@pria ; hist@ria ind8gena e do indigenismo, que veio se distinguir tanto de uma Ghist@ria dos vencidosH francesa, em voga nos anos setenta, quanto da etnohist@ria norteamericana, a primeira presa ; leitura teleol@gica do capitalismo, a Iltima, ao parFmetro do registro escrito, apesar da promessa contida em seu nome.