1 Anais do VIII Congresso de Ecologia do Brasil, 23 a 28 de Setembro de 2007, Caxambu - MG ANÁLISE DA RESPOSTA ANTIPREDATÓRIA DE MOENKHAUSIA SANTAEFILOMENAE (STEINDACHNER, 1907) (CHARACIDAE, TETRAGONOPTERINAE) SOB SIMULAÇÃO DE PREDAÇÃO EM CONDIÇÕES LABORATORIAIS Thiago R. A. Felipe 1 ; Yzel R. Súarez 2 & William Fernando Antonialli Júnior 2 1 -Programa de Pós-Graduação em Biologia Animal (UFV). 2 UEMS/CINaM/Laboratório de Ecologia. Rod. Dourados- Itahum km 12. CEP 79804-970. Dourados-MS, Brazil. INTRODUÇÃO O risco da predação influencia a evolução do comportamento e morfologia de virtualmente todos os animais, devido ao fato da predação ser o critério final da seleção natural (Lima & Dill, 1990). Ao longo da evolução, numerosas táticas defensivas foram desenvolvidas por peixes visando diminuir a eficiência de seus predadores. Uma das táticas mais comuns é a fuga de locais abertos, normalmente para locais vegetados. Contudo, quando a fuga não é possível, outras táticas como a presença de espinhos, formação de cardumes, coloração críptica ou mimética, entre outras (Carvalho et al., 2006; Zuanon et al., 2006; Carvalho et al. 2007). Alguns peixes possuem substâncias químicas de defesa, como a secreção de muco impalatável que recobre o corpo durante o tempo de repouso em recifes de corais repletos de predadores (Sabino & Carvalho 2003). Contudo, algumas espécies podem liberar uma sinalização química quando atacados por predadores que podem desencadear uma reação de alarme nos indivíduos co-específicos. Então, o objetivo do presente trabalho é verificar se Moenkhausia sanctaefilomenae responde à sinalização de alarme e se ocorre alteração no comportamento dos indivíduos no cardume em função da simulação de predação. MATERIAL E MÉTODOS Os peixes foram amostrados no Pantanal da Nhecolândia (Fazenda Rio Negro-Conservação Internacional), localizada nas coordenadas 19º 34' 02,7'’ S e 56º 14' 40,6'’ W. Após o período de adaptação em aquário com 162 litros de capacidade (80X45X45cm), o experimento foi realizado no Laboratório de Ecologia (UEMS-Centro Integrado de Análise e Monitoramento Ambiental). Sendo que o aquário foi preparado para impossibilitar que os peixes pudessem visualizar o pesquisador. Em cada simulação, realizada dez vezes, seis exemplares adultos foram utilizados, sendo que outro exemplar foi sacrificado e uma solução com água e restos de pele do peixe foi preparada para introdução no aquário experimental. Após a observação do comportamento os peixes eram trocados e somente após um prazo mínimo de três dias o experimento foi repetido. Em cada experimento o comportamento dos peixes foi filmado utilizando uma câmera digital (Sony DSR - PD170), e a ocorrência e duração dos eventos comportamentais foram registrados. Para quantificar a influência do efeito da sinalização química sobre a distância média dos indivíduos no cardume realizamos um teste t pareado. RESULTADOS E DISCUSSÃO Após a introdução da substância de alarme os peixes apresentaram comportamento de fuga para a porção oposta do aquário, após um comportamento inicial de desorientação dos indivíduos no cardume. Após esta fase, constatamos o aumento da atividade dos indivíduos com a mudança na posição dos indivíduos no cardume. Em algumas situações os peixes ficaram parados sob as macrófitas flutuantes. Observamos redução significativa na distância media entre os indivíduos no cardume de M. sanctaefilomenae após a introdução da substância de alarme (t=3,06; gl=9; P=0,01), sendo que a distância entre os indivíduos caiu de 2,61 para 1,57 cm. Outro resultado foi a alteração no intervalo de confiança na distância media entre os indivíduos que passou a ser 2,3 vezes menor após a introdução da substância de alarme, sugerindo que os peixes eram “menos preocupados” com a distância entre os indivíduos antes da introdução da substância de alarme. Chivers (1996) sugere que a sinalização química pode atrair predadores secundários e com isso dificultar a ação do predador principal, ou mesmo predá-lo, assim garantindo o tempo necessário para a fuga da espécie presa. Por outro lado, apesar da importância e a existência de indícios de sua