Inovação e Desenvolvimento nas Actividades Marítimas, C. Guedes Soares e V. Gonçalves de Brito (Eds.), Edições Salamandra, Lisboa, 2006, (ISBN 978-972-689-232-8), pp. 585-604 ANÁLISE DAS CARACTERÍSTICAS NÁUTICAS DE EMBARCAÇÕES LATINAS MEDIEVAIS N. Fonseca 1 , T. Vacas 1 e F. Vieira de Castro 2 1 Unidade de Engenharia e Tecnologia Naval, Instituto Superior Técnico, Universidade Técnica de Lisboa, Av. Rovisco Pais, 1049-001 Lisboa nfonseca@mar.ist.utl.pt, tomas.vacas@mar.ist.utl.pt 2 Nautical Archaeology Program, Department of Anthropology, Texas A&M University College Station, TX 77843-4352 USA fvcastro@tamu.edu Resumo Neste trabalho faz-se um estudo das características náuticas de um conjunto de embarcações latinas da época medieval para as quais existe informação arqueológica e documental. Consideram-se cinco embarcações de datas que vão do século VII ao XIV. O ponto de partida são os planos geométricos reconstruídos a partir dos achados arqueológicos e documentos da época. As características analisadas incluem: coeficientes de forma, propriedades hidrostáticas, estimativa de pesos e sua distribuição, estabilidade e resistência ao avanço. Finalmente comparam-se as características das várias embarcações. 1 Introdução Nas últimas décadas foram encontrados e explorados vestígios arqueológicos de algumas embarcações antigas. O número de exemplares tem aumentado devido ao aperfeiçoamento das técnicas de exploração arqueológica submarina. No entanto, são ainda poucas as embarcações antigas exploradas e investigadas por arqueólogos e para as quais existem resultados publicados. Entre as mais antigas constam meia dúzia de embarcações do tempo do faraó Sesóstris (2000 a.C.), duas barcas funerárias do faraó Keops (2700 a.C.) perfeitamente conservadas, vários navios gregos, romanos e fenícios afundados no mediterrâneo e alguns navios viquingues. Relativamente a navios mais recentes, exploraram-se os vestígios de uma embarcação hanseática do final do século XIV, algumas embarcações medievais da Suécia, a conhecida nau sueca VASA afundada no porto de Estocolmo em 1623 e reflutuada em 1961, e ainda vestígios de galeones espanhóis dos séculos XVI e XVII, naufragados no golfo do México, que no entanto não estão estudados arqueologicamente. Há ainda a carcaça duma nau holandesa naufragada em 1749 ao largo da costa de Hastings (Inglaterra) e alguns exemplares completos de naus